Em entrevista ao Congresso em Foco, o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) atribuiu à movimentação da família Bolsonaro a crise política que atinge o Estado do Rio de Janeiro. Para o congressista, o grupo político do ex-presidente "não teve a dignidade" de admitir que errou na escolha de candidatos ao governo fluminense.
"Nós votamos no Wilson Witzel, nós votamos no Cláudio Castro, porque a família Bolsonaro pediu. E mesmo com todos os roubos do Cláudio Castro, a família Bolsonaro não teve a dignidade de voltar e dizer para os cariocas e fluminenses: 'nós erramos e não comungaremos com esses patifes e esses quadrilheiros'."
Eleito em 2018, Witzel foi alvo de impeachment sob acusação de desviar recursos destinados ao enfrentamento da pandemia de covid-19. Já Cláudio Castro não possui condenações criminais, mas é alvo de dois inquéritos na Polícia Federal e foi declarado inelegível pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) por abuso de poder político.
Para o deputado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é "patrocinador" e "sócio do quadrilheiro Cláudio Castro". Como exemplo, ele cita a manutenção do apoio do presidenciável à participação do ex-governador do Rio na disputa ao Senado, mesmo após duas operações de busca e apreensão em sua residência.
"Ele não teve moral de dizer para Cláudio Castro sair da disputa. Cláudio saiu depois que a Polícia Federal esteve duas vezes no seu apartamento. Ele só saiu depois que ele foi desmoralizado pela Polícia Federal. E não porque Flávio Bolsonaro pediu para ele sair."
Transição de grupos
Deputado em segundo mandato, Otoni de Paula integrou a base aliada de Jair Bolsonaro. Os dois se afastaram gradualmente em meio a desentendimentos iniciados em 2022, culminando em uma ruptura definitiva nas eleições municipais de 2024. No pleito, a família Bolsonaro apoiou a campanha de Alexandre Ramagem à prefeitura do Rio, enquanto o deputado ficou ao lado de Eduardo Paes.
Desde então, Otoni defende ativamente a busca por novas lideranças no campo conservador e integra o grupo de articuladores da pré-candidatura de Ronaldo Caiado ao Planalto. Hoje, afirma que seu maior temor é uma vitória eleitoral de Flávio Bolsonaro.
"Eu não tenho nada pessoal contra ele, mas eu não posso deixar que esse cara, que tanto fez mal ao Rio de Janeiro e que sustenta a quadrilha de Cláudio Castro, se torne meu presidente da República."
Otoni de Paula considera que, se eleito, Flávio Bolsonaro tende a não permanecer no governo. "Ele é presidente por dois anos no máximo, ele é um presidenciável para ser impeachmado. O Flávio vai afundar a direita do Brasil, porque o mínimo de moralidade que nós temos em comparação ao PT, à esquerda, nós vamos perder."
Na avaliação do deputado, o presidente Lula é "mais confiável do que Flávio", mesmo pertencendo ao campo político oposto. "Esse próximo mandato, caso Lula tenha, tem tudo para ser o melhor mandato dele. (...) Ele quer terminar a carreira dele e entrar para a história. Flávio não. Flávio está no início do roubo."
"Eu luto hoje para que Flávio Bolsonaro não seja presidente da República porque eu sou de direita. Eu sou da verdadeira direita e eu não quero que a direita fique 20 anos longe do poder porque nós tivemos um presidente corrupto sentado naquela cadeira."