Em publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (15), a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) defendeu o fim da escala 6x1 e criticou colegas que se opõem à proposta. Para a congressista, o modelo com cinco dias de trabalho e dois de descanso é "mais justo e mais humano".
Segundo a senadora, os efeitos da escala 6x1 recaem de forma ainda mais intensa sobre as mulheres, que frequentemente acumulam responsabilidades domésticas e o cuidado com os filhos.
"Defendo o projeto aprovado na Câmara e agora a luta é no Senado Federal. Mato Grosso do Sul é um dos estados com mais trabalhadores em escala 6x1, vivendo uma rotina exaustiva sem ter um tempo livre de qualidade. Se para os homens já é difícil, imaginem para milhares de mulheres que têm múltiplas tarefas, são mães solo e precisam dar conta dos filhos, da casa, dos estudos, do autocuidado, do próprio sustento e, muitas vezes, da família inteira."
Soraya também criticou parlamentares de seu Estado que são contrários à proposta. Sem citar nomes, disse lamentar a resistência de colegas que, segundo ela, "não aceitam evoluir e modernizar o mercado de trabalho".
"Eu só posso dizer que lamento, lamento muito. Como podem defender a jornada por hora? Ou a jornada negociada entre empregado e empregador, onde nunca haverá igualdade de condições? Não dá, né?"
PEC do fim da 6x1 x PEC do trabalho flexível
A proposta que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de descanso por semana foi aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio e aguarda análise do Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), já afirmou que o texto seguirá a tramitação regular, passando pelas comissões antes de chegar ao Plenário.
Em resposta à proposta, parlamentares da oposição apresentaram a chamada PEC do Trabalho Flexível. O texto mantém a jornada semanal de 44 horas, não cria a obrigatoriedade de dois dias de folga e preserva a possibilidade de trabalho por seis dias consecutivos.
A proposta alternativa prevê que compensações de horário e reduções de jornada possam ser negociadas por acordo individual, convenção coletiva ou pactuação direta entre empregado e empregador.
Esse é o principal ponto de divergência entre os textos. Na avaliação de críticos da PEC do Trabalho Flexível, a proposta fortalece os contratos individuais e permite que eles prevaleçam sobre instrumentos de negociação coletiva. Na prática, acordos firmados diretamente entre empresas e trabalhadores ganhariam mais peso do que convenções e acordos negociados pelos sindicatos.