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Senado

Oposição leva ao Senado PEC do "horário flexível" após avanço da 6x1

Texto protocolado por parlamentares do PL prevê modelos mais flexíveis de distribuição da carga semanal.

Congresso em Foco

28/5/2026 | Atualizado às 10:25

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Horas depois de a Câmara dos Deputados aprovar a PEC que extingue a escala 6x1, parlamentares do Partido Liberal protocolaram no Senado uma proposta com direção oposta: ampliar a possibilidade de negociação direta sobre jornadas de trabalho entre empresas e trabalhadores.

A PEC 12/26 foi apresentada na noite dessa quarta-feira (27) pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado. O texto recebeu 36 assinaturas, acima das 27 necessárias para protocolar uma PEC na Casa.

A iniciativa surge como reação da oposição ao avanço da proposta apoiada por partidos de esquerda e por integrantes do governo Lula, que reduz a jornada semanal de trabalho e estabelece dois dias de descanso remunerado.

Texto protocolado por Rogério Marinho amplia margem para negociação de jornadas de trabalho.

Texto protocolado por Rogério Marinho amplia margem para negociação de jornadas de trabalho.Saulo Cruz/Agência Senado

O que prevê a proposta do PL

A PEC altera o artigo 7º da Constituição Federal para permitir que definições sobre jornada e escala de trabalho sejam estabelecidas por acordo individual entre empregado e empregador, convenção coletiva ou "livre pactuação contratual direta".

Na prática, o texto amplia a margem de negociação sobre horários de trabalho, banco de horas e distribuição da carga horária semanal. A proposta mantém os limites constitucionais máximos de jornada, mas abre espaço para formatos mais flexíveis definidos por acordo.

Segundo Rogério Marinho, o objetivo é "modernizar" as relações de trabalho e adaptar a legislação a diferentes setores da economia.

Entre os senadores que assinam a proposta estão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Damares Alves (Republicanos-DF), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Marcos Pontes (PL-SP) e Ciro Nogueira (PP-PI).

Câmara aprovou fim da escala 6x1

A movimentação ocorre após a Câmara aprovar, em dois turnos, a PEC que acaba com a escala 6x1. O texto reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e assegura dois dias de descanso remunerado por semana.

A proposta foi defendida por parlamentares governistas e por movimentos sindicais como medida para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e reduzir jornadas consideradas excessivas.

Deputados da oposição criticaram o impacto econômico da mudança e afirmaram que a medida pode aumentar custos para empresas, especialmente nos setores de comércio e serviços.

Integrantes da oposição admitem que a PEC do "horário flexível" busca construir uma alternativa ao texto aprovado pela Câmara e pressionar o debate no Senado.

Mais cedo, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou que a proposta seria apresentada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), como forma de corrigir o que chamou de "erro" da Câmara.

A avaliação entre aliados do governo é que o Senado deve se transformar no principal palco da disputa sobre jornada de trabalho nas próximas semanas, diante da resistência de setores empresariais à redução da carga horária.

Próximos passos

A PEC aprovada pela Câmara seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Para ser promulgada, uma proposta de emenda à Constituição precisa ser aprovada em dois turnos por ao menos 49 senadores.

Já a PEC protocolada pelo PL ainda deverá ter despacho da Presidência do Senado para começar a tramitar.

O tema já vinha sendo discutido na Casa desde 2025. Em dezembro do ano passado, a CCJ do Senado aprovou uma PEC que prevê redução progressiva da jornada semanal para 36 horas e estabelece dois dias de descanso remunerado, mas o texto ainda não foi votado em plenário.

Leia a íntegra da proposta.

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Entenda os próximos passos após a Câmara aprovar o fim da escala 6x1

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