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ECONOMIA

Câmara aprova PEC do fim da escala 6x1 em dois turnos

Proposta prioritária na agenda legislativa do governo recebeu votos favoráveis tanto da base aliada quanto da oposição.

Congresso em Foco

27/5/2026 | Atualizado às 23:56

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A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos turno nesta quarta-feira (27) a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e relatoria de Leo Prates (Republicanos-BA), que reduz a atual jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, com obrigatoriedade de dois dias de descanso sem redução salarial.

Todos os partidos orientaram de forma favorável à proposta, com a exceção do Novo e Missão, resultando em 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno, e 461 a 19 no segundo. A matéria tramita em conjunto a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (Psol-SP).

PEC requer aprovação em dois turnos para avançar ao Senado.

PEC requer aprovação em dois turnos para avançar ao Senado. Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O texto, aprovado pela tarde em comissão especial, também prevê uma implementação escalonada da nova jornada, dividida em duas etapas. Após 60 dias da promulgação, a jornada cai para 42 horas, permanecendo assim por mais um ano antes da implementação do teto de 40 horas.

A proposta conta com a possibilidade de adoção de escalas flexíveis para atividades essenciais, como saúde e segurança pública, permitindo alteração das datas dos dois dias de descanso semanais, desde que sejam usufruídos dentro do mesmo mês.

Conforme o parecer, determinadas categorias com ensino superior, classificadas como "hipersuficientes", também poderão negociar outros modelos de jornada com os respectivos empregadores.

O Plenário também derrubou o destaque de preferência apresentado pelo PL, que defendeu a adoção do texto inicial, de escala 4x3 no lugar da 5x2. A bancada buscou, com isso, forçar o governo a apoiar a versão "menos favorável" ao trabalhador em prol do acordo firmado no Colégio de Líderes. O pedido foi deliberado em votação simbólica.

Debate

O fim da escala de trabalho 6x1 é o principal item na agenda legislativa do governo para 2026, e recebeu amplo apoio em Plenário por parte de deputados da base aliada, que defendeu a proposta como forma de fortalecimento dos direitos trabalhistas.

O líder do PT, Pedro Uczai (PT-SC), considerou a PEC como "um avanço histórico para trabalhadores e trabalhadoras neste país".

"Vamos votar sim pelo fim da escala 6x1. Vamos votar sim para ter dois dias de descanso, dois dias para a família, dois dias para a juventude trabalhar e estudar, dois dias para as mulheres descansar, ficar com os filhos, dois dias para viver", declarou.

No lado da oposição, a contrariedade foi fragmentada. O PL, maior partido do bloco, fechou questão favorável ao parecer para poder avançar com seu próprio destaque, mas o movimento não obteve adesão de toda a bancada. Bino Nunes (PL-RS), 1º vice-líder, chegou a se pronunciar de forma contrária.

O Novo, por outro lado, formalizou a contrariedade ao texto. "Se o [presidente] Lula quisesse defender trabalhador, (...) ele teria proposto lá em 2003, no primeiro ano de governo dele. Por quê que ele foi propor só agora, às vésperas das eleições?", questionou o representante da legenda, Marcel van Hattem (Novo-RS).

A oposição cobrou a votação da PEC alternativa do deputado Mauricio Marcon (PL-RS), que preserva a jornada máxima de 44 horas, mas abre espaço para que empregados possam escolher seus horários de serviço. "Aqui, com este projeto, não se está reduzindo a carga de trabalho sem proibir quem quer trabalhar de fazê-lo. Nós temos que dar flexibilidade para o trabalhador", disse van Hattem.

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