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Michelle deixa crise aberta ao dizer que contou "quase tudo"

No vídeo em que acusa Flávio de humilhá-la e desrespeitá-la, Michelle Bolsonaro deixa no ar a possibilidade de revelar novos bastidores da crise.

25/6/2026
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Uma frase dita quase ao fim do vídeo de Michelle Bolsonaro com críticas a Flávio Bolsonaro deixou a crise em aberto: a ex-primeira-dama afirmou que ainda não contou tudo. Ao acusar o enteado de tê-la maltratado, desrespeitado e humilhado durante uma ligação sobre as articulações do PL no Ceará, Michelle também cobrou espaço no partido, criticou alianças regionais, defendeu candidaturas e disse saber de onde vêm ataques contra ela.

Michelle Bolsonaro em evento de filiação do PL Mulher em BrasíilaAscin/PL Mulher

A fala ampliou o desgaste no bolsonarismo porque atingiu simultaneamente Flávio, os filhos de Jair Bolsonaro, o PL e a disputa pela sucessão presidencial de 2026. "Falei quase tudo que precisava ser dito", declarou nas gravações, que somaram cerca de 28 minutos.

No vídeo, a ex-primeira-dama deixou uma série de recados a aliados e adversários internos. Veja os principais:

Flávio Bolsonaro

O primeiro destinatário foi Flávio. Michelle afirmou ter entendido, após a ligação com o senador, que seu apoio à pré-candidatura dele era tratado como "insignificante". A ex-primeira-dama disse ter sido desrespeitada e diminuída politicamente. Também afirmou que permaneceu recolhida depois do episódio e que Flávio, embora frequente a casa dela, não a procurou para recompor a relação.

A mensagem foi direta: se quiser contar com Michelle em 2026, Flávio terá de reconhecer sua força política e seu espaço dentro do bolsonarismo.

Espaço no PL

Michelle também usou o vídeo para defender sua trajetória no partido. Rebateu a ideia de que teria "chegado agora" à política e lembrou sua atuação à frente do PL Mulher. Ao citar viagens, diretórios e candidaturas femininas, apresentou credenciais próprias. O recado ao partido foi que não quer ser vista apenas como esposa de Jair Bolsonaro, mas como dirigente com base e atuação nacional.

Esse ponto ajuda a explicar a gravidade da crise. O conflito não é apenas sobre uma ligação ou uma mágoa familiar. Também envolve o lugar de Michelle na máquina partidária que tenta organizar a sucessão de Bolsonaro.

Alianças políticas

A crise começou nas articulações do PL no Ceará. Michelle se posicionou contra uma aproximação com Ciro Gomes no primeiro turno e defendeu candidaturas alinhadas à direita bolsonarista.

Para ela, uma aliança com Ciro representaria traição aos valores do bolsonarismo e às posições de Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama argumenta que eventuais composições contra o PT poderiam ser discutidas no segundo turno, mas não como ponto de partida. Ao transformar uma disputa estadual em questão de princípio, Michelle elevou o custo político da articulação para Flávio e para o PL.

Enteados

Michelle também mirou, direta ou indiretamente, a reação dos filhos de Jair Bolsonaro à crise no Ceará. Ela sugeriu que houve ação coordenada contra ela e questionou o alinhamento de familiares a uma articulação que, em sua visão, contraria a vontade do ex-presidente.

O ponto central é a disputa por legitimidade. Michelle se apresenta como defensora dos valores e das decisões atribuídas a Bolsonaro. Flávio, em sua resposta, afirmou o mesmo: disse cumprir uma missão dada pelo pai e tomar decisões com o respaldo dele. A crise expõe uma pergunta central para 2026: quem fala por Jair Bolsonaro?

Ataques internos

Ao dizer que sabe quem planta versões contra ela, Michelle deu ao vídeo tom de advertência. Não se limitou a rebater críticas. Sueriu que conhece os bastidores e que pode revelar mais se considerar necessário.

"O que dói de um jeito diferente de tudo que falei até aqui: o grupo de maledicência coordenada a partir de quem está no exterior, continua agindo e me atacando todos os dias. Alguns deles até continuam aparecendo em fotos com Flávio. Eles fazem postagens e vídeos retirando do meu nome o sobrenome Bolsonaro na tentativa de me atingir."

Eleições 2026

Michelle não anunciou candidatura à Presidência. Mas também não fechou a porta para seu futuro político. Disse que seus próximos passos estão "nas mãos de Deus" e afirmou que, quando for o momento, falará por si mesma.

A frase tem impacto porque ocorre no momento em que Flávio tenta se firmar como pré-candidato com o aval de Jair Bolsonaro. Ao reservar para si o direito de falar sobre o próprio futuro, Michelle indica que não aceitará ser apenas peça auxiliar de uma candidatura já definida.

O vídeo, portanto, não foi apenas uma resposta a Flávio. Também reposicionou Michelle na disputa interna do bolsonarismo. E, ao dizer que ainda não contou tudo, deixou claro que a crise pode ter novos capítulos.

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