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CRISE EM FAMÍLIA

Michelle diz que Flávio a humilhou e acusa aliados de trair Bolsonaro

Em vídeo, ex-primeira-dama acusa enteado de maltratá-la, critica articulação do PL com Ciro Gomes no Ceará e cobra respeito à decisão atribuída a Jair Bolsonaro sobre candidatura ao Senado. Assista à íntegra.

Congresso em Foco

25/6/2026 | Atualizado às 8:28

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A crise no entorno de Jair Bolsonaro deixou de ser apenas uma disputa por palanque estadual e ganhou contornos de confronto familiar. Em vídeo de cerca de 27 minutos publicado nas redes sociais, Michelle Bolsonaro acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu enteado, de tê-la desrespeitado e maltratado por telefone após divergências sobre os rumos do PL no Ceará.

A ex-primeira-dama disse que decidiu falar depois de tentar se manter em silêncio para não expor a família. Afirmou, porém, ter chegado ao limite diante do que classificou como ataques, mentiras e tentativas de enfraquecer seu papel político dentro do bolsonarismo.

"Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone", afirmou Michelle. Segundo ela, Flávio teria dito que seria melhor que ela ficasse fora das decisões partidárias e que ela "havia chegado ontem" e "não entendia nada de política". "Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio, ou que este era insignificante. E então eu me recolhi", declarou.

De bastidor local a crise familiar

O ponto de partida da crise foi a disputa pelo comando da direita no Ceará. Michelle defende que o PL apoie, no primeiro turno, o senador Eduardo Girão (Novo), pré-candidato ao governo do Estado, e preserve a candidatura da vereadora Priscila Costa (PL), de Fortaleza, ao Senado.

A ex-primeira-dama acusa aliados do PL cearense de trabalharem para retirar Priscila da disputa a fim de abrir espaço para uma aliança com Ciro Gomes. Segundo ela, o movimento contraria uma decisão já tomada por Jair Bolsonaro, por ela e pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Michelle afirmou que a indicação de Priscila "não foi sugestão", mas decisão política. Disse ainda que Bolsonaro teria determinado que o PL disputasse as duas vagas ao Senado no Ceará, uma delas com Priscila e a outra com o deputado estadual Pastor Alcides (PL), pai do deputado André Fernandes (CE), que é o presidente estadual do partido.

"Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro. Venha de quem vier", afirmou.

Ciro no centro da discórdia

A eventual aproximação com Ciro Gomes é tratada por Michelle como uma linha vermelha. No vídeo, ela relembrou ataques feitos pelo ex-ministro a Jair Bolsonaro e aos filhos do ex-presidente para sustentar que uma aliança no primeiro turno seria uma contradição para o campo bolsonarista.

Michelle disse que Ciro foi um adversário duro de Bolsonaro, contribuiu, em sua avaliação, para a narrativa que levou à inelegibilidade do ex-presidente e dirigiu ofensas à família. Por isso, afirmou que o PL não deveria abrir mão de um candidato identificado com a direita para apoiar Ciro logo na primeira etapa da eleição.

"Tenho o direito de achar errado uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles", disse. "Eu não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista."

A ex-primeira-dama afirmou que não exige o rompimento definitivo de nenhuma composição, mas defende que eventual união contra o PT ocorra apenas no segundo turno.

A vaga de Priscila Costa

Michelle também colocou a candidatura de Priscila Costa no centro da disputa. A vereadora, presidente estadual do PL Mulher no Ceará e vice-presidente nacional do movimento, foi apresentada por ela como uma liderança fiel às pautas conservadoras e ao projeto político de Bolsonaro.

A ex-primeira-dama disse que pediu apenas três vagas ao Senado para mulheres dentro do partido: Priscila Costa, Carol de Toni (SC) e Bia Kicis (DF). Segundo Michelle, tem sido uma "batalha diária" manter essas indicações.

No caso do Ceará, ela questionou por que a vaga ameaçada seria justamente a de Priscila, e não a do pai de André Fernandes. "Já que a aliança com o Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga do seu próprio pai? Estranho, né? Por que só a mulher tem que ceder?", perguntou.

Michelle disse ainda que sua reação no evento de lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão não foi contra André Fernandes pessoalmente, mas contra a aliança em construção. Segundo ela, parte do público presente vaiou a possibilidade de composição com Ciro e chamou a articulação de traição.

O telefonema com Flávio

A parte mais dura do vídeo foi dedicada a Flávio Bolsonaro. Michelle disse que, ao voltar para Brasília após o evento no Ceará, viu publicações do senador contra sua posição. Segundo ela, os irmãos Bolsonaro reagiram de forma semelhante, com textos parecidos, o que lhe deu a impressão de uma ação combinada.

"Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado", afirmou.

Michelle disse ter procurado sinais de que Flávio tivesse tentado falar com ela antes de se manifestar publicamente, mas não encontrou ligação ou mensagem. Depois, afirmou ter telefonado para o senador algumas vezes, até que ele retornou.

Foi nessa ligação, segundo a ex-primeira-dama, que Flávio a tratou com rispidez. Ela disse que, desde então, os dois não voltaram a conversar sobre o episódio, apesar de o senador frequentar sua casa semanalmente.

"Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado", disse.

Michelle também rebateu versões de bastidores segundo as quais estaria cobrando desculpas públicas ou ressentida por não ter sido escolhida candidata. Negou as duas hipóteses e afirmou que sua prioridade, neste momento, é cuidar da família e de Jair Bolsonaro.

"Meu futuro político está nas mãos de Deus. Ele providenciará tudo. E quando for o momento de decidir o que quer que seja, sou eu mesma quem falarei. Não preciso de porta-voz", afirmou.

Flávio nega humilhação

Após a repercussão do vídeo, Flávio Bolsonaro negou ter humilhado Michelle. Em publicação nas redes, o senador afirmou que nunca desrespeitou ou maltratou uma mulher e disse que jamais faria isso com a esposa do próprio pai.

Flávio também pediu desculpas caso Michelle tenha se ofendido em algum momento e defendeu a unidade no campo bolsonarista. Sustentou ainda que divergências de estratégia não significam divergências de princípios. Segundo ele, o objetivo em comum tem de ser derrotar Lula e o PT. "O Brasil precisa de maturidade, serenidade e unidade. Vamos concentrar nossas energias naquilo que realmente importa: construir um futuro melhor para todos os brasileiros', afirmou.

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