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Teresa Leitão culpa Flávio por tarifaço: "trabalha contra o país"

Senadora afirma que o governo buscou o diálogo com Washington e rebate críticas ao Pix, à política ambiental e às plataformas digitais.

16/7/2026
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A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), responsabilizou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em nota divulgada nesta quinta-feira (16), a parlamentar afirmou que a medida tem motivação política e defendeu a condução das negociações pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Teresa, o governo brasileiro demonstrou disposição para o diálogo e percorreu os canais diplomáticos disponíveis na tentativa de evitar a nova taxação. Para a senadora, a ausência de uma justificativa técnica consistente indicaria que a decisão norte-americana foi influenciada por interesses políticos.

"Neste caso, é notório que a medida foi incentivada pela atuação sistemática e pública de Flávio Bolsonaro, que trabalha contra os interesses do próprio país."

Líder do governo no Senado, Teresa Leitão defendeu a atuação de Lula diante da taxação norte-americana.Carlos Moura/Agência Senado

Defesa do Pix e da política ambiental

Teresa também rebateu os argumentos apresentados pelo governo norte-americano em relação ao Pix, às plataformas digitais e à política ambiental brasileira.

Para a líder governista, o Pix é uma inovação pública segura, que ampliou o acesso aos meios de pagamento e reduziu os custos das transações financeiras. A senadora também afirmou que o governo Lula retomou ações de combate ao desmatamento e fortaleceu a fiscalização ambiental.

Sobre as empresas de tecnologia, Teresa defendeu que as plataformas estrangeiras sejam submetidas às leis brasileiras e às decisões tomadas pelas instituições do país.

"Sobre o ambiente digital, o país exige que as empresas cumpram a legislação e respeitem as decisões de suas instituições."

A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, analisou políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamento eletrônico, além de tarifas comerciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

O governo norte-americano sustenta que determinadas práticas brasileiras prejudicam empresas e o comércio dos Estados Unidos.

Críticas às declarações sobre Lula

Na nota, Teresa Leitão também acusou Flávio Bolsonaro de preconceito etário ao rebater críticas do senador à idade do presidente Lula, de 80 anos.

"Liderança, carisma, capacidade de articulação, visão estratégica e compromisso com o povo são atributos construídos ao longo de uma trajetória política. É isso que marca a história do presidente Lula: 80 anos dedicados à vida pública e à defesa do povo brasileiro."

Flávio, por sua vez, afirmou que Lula representa "um perigo" para o país e comparou o petista ao ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, alvo recorrente de questionamentos políticos relacionados à idade.

O senador do PL também responsabilizou Lula, nesta quinta-feira, pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos. Em entrevista ao Flow Podcast, chamou o presidente de "antiamericano" e afirmou que ele teria provocado repetidamente o governo de Donald Trump para explorar eleitoralmente o conflito comercial.

Flávio disse ainda ter tentado convencer autoridades norte-americanas a adiar a cobrança até 2027.

Tarifa entra em vigor no dia 22

A tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos começa a valer em 22 de julho.

A medida alcança as importações brasileiras, mas prevê exceções para determinados produtos, como carne, café, suco de laranja, componentes aeronáuticos e itens energéticos.

O governo brasileiro repudiou a decisão e informou que pretende recorrer aos instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica. O Planalto também afirmou que não abandonou as negociações com os Estados Unidos e classificou a nova taxação como uma medida unilateral e injustificada.

Ao encerrar a manifestação, Teresa defendeu uma reação baseada na preservação dos interesses nacionais.

"Ao Brasil cabe seguir defendendo, com firmeza e soberania, sua economia, seus trabalhadores, suas empresas e os interesses das famílias brasileiras."

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