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ESTADOS UNIDOS

Do Pix ao etanol: entenda proposta de tarifaço dos EUA contra o Brasil

Governo americano propõe tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas prevê exceções. Medida mira Pix, comércio digital, etanol, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.

Congresso em Foco

2/6/2026 11:31

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O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs aplicar tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida faz parte de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana, usada pelos EUA para reagir a práticas consideradas desleais, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio do país.

A tarifa ainda não está em vigor. O governo americano abriu consulta pública antes da decisão final. Comentários escritos poderão ser enviados até 1º de julho de 2026, e uma audiência pública está marcada para 6 de julho. Interessados em participar devem se manifestar até 22 de junho.

Veja a íntegra, em inglês, da proposta de tarifaço.

Produtos para exportação no Porto de Paranaguá, no Paraná. Produção nacional será prejudicada se novo tarifaço for aplicado pelos Estados Unidos.

Produtos para exportação no Porto de Paranaguá, no Paraná. Produção nacional será prejudicada se novo tarifaço for aplicado pelos Estados Unidos.Rodolfo Buhrer/La Imagem/Fotoarena/Folhapress

O que está sendo proposto

A proposta prevê:

  • tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil;
  • exceções para materiais informativos, doações e bagagens acompanhadas;
  • exclusão de produtos já sujeitos a tarifas especiais da Seção 232 (instrumento da legislação americana usado para restringir ou taxar importações quando o governo dos EUA entende que elas afetam a segurança nacional, como já ocorreu com setores como aço, alumínio e outros produtos estratégicos);
  • retirada de itens que possam afetar o abastecimento, encarecer matérias-primas ou causar impacto amplo na economia americana;
  • consulta pública antes de qualquer decisão definitiva.

Se aprovada, a tarifa encareceria parte dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos. O alcance final da medida, porém, ainda pode mudar.

Por que os EUA miram o Brasil

O USTR afirma que práticas brasileiras prejudicam empresas e trabalhadores dos Estados Unidos. A investigação aponta problemas em seis áreas:

  • comércio digital e serviços de pagamento eletrônico;
  • tarifas preferenciais concedidas a México e Índia;
  • combate à corrupção;
  • propriedade intelectual;
  • acesso ao mercado de etanol;
  • desmatamento ilegal.

Segundo o documento, essas práticas seriam "irrazoáveis ou discriminatórias" e restringiriam o comércio americano.

Pix e plataformas digitais

O Pix é um dos principais alvos. O USTR afirma que o Banco Central brasileiro atua ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, o que, na avaliação americana, favorece o Pix em relação a concorrentes privados, inclusive dos EUA.

O documento também critica regras que obrigam instituições financeiras a oferecer o Pix com destaque em aplicativos e com limites de tarifas.

Na área digital, os EUA criticam decisões judiciais brasileiras que determinaram a remoção de conteúdos e a suspensão de perfis em plataformas como X, Meta e Google. Para o USTR, essas ordens impuseram custos, riscos, multas e restrições a empresas americanas.

Tarifas, corrupção e patentes

Outro ponto envolve acordos comerciais do Brasil com México e Índia. Segundo os EUA, o Brasil concede tarifas menores a produtos desses países em setores nos quais empresas americanas também competem, como veículos, autopeças, produtos agrícolas, minerais, químicos e máquinas.

O governo americano também acusa o Brasil de falhar no combate à corrupção. O documento cita críticas de organismos internacionais, decisões ligadas à Operação Lava Jato, anulações de provas e renegociações de acordos de leniência.

Na propriedade intelectual, o USTR aponta problemas no combate à falsificação e à pirataria, além da demora na análise de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico.

Etanol e desmatamento

No etanol, os EUA acusam o Brasil de abandonar uma relação comercial considerada equilibrada. Segundo o USTR, o país mantém tarifa de 18% sobre o etanol americano desde fevereiro de 2023, o que teria reduzido o acesso de produtores dos EUA ao mercado brasileiro.

O documento também acusa o Brasil de falhar na fiscalização ambiental. Para o USTR, produtos como madeira, carne, soja e outros itens agropecuários podem se beneficiar de áreas desmatadas ilegalmente, reduzindo custos de produção e prejudicando concorrentes americanos.

A Embraer não é citada nominalmente, mas o anexo da proposta exclui itens ligados a aeronaves civis, incluindo motores, peças, componentes, subconjuntos e simuladores de voo, desde que corretamente classificados nas regras tarifárias dos EUA. Por isso, o setor aeronáutico aparece entre os pontos sensíveis da lista de exceções.

O que acontece agora

Depois da consulta pública, o governo americano poderá aplicar a tarifa, mudar a lista de produtos atingidos, ampliar exceções ou adotar outro tipo de medida.

Até lá, a tarifa de 25% deve ser tratada como proposta em análise, não como sanção já em vigor.

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