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NOVO TARIFAÇO

Flávio diz ter pedido a Trump que não taxasse produtos brasileiros

Declaração foi dada após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos propor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, em meio a investigação sobre práticas comerciais do Brasil.

Congresso em Foco

2/6/2026 | Atualizado às 10:33

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta terça-feira (2) que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para não impor tarifas a empresas brasileiras. A declaração foi dada um dia após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos propor uma tarifa de 25% sobre produtos do Brasil.

Flávio esteve em Washington na semana passada, onde se reuniu com Trump, com o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo ele, o apelo foi feito diretamente aos três.

Flávio Bolsonaro nega responsabilidade por novo tarifaço estudado pelos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro nega responsabilidade por novo tarifaço estudado pelos Estados Unidos.Jefferson Rudy/Agência Senado

"Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente [J.D.] Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras", disse Flávio, em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais.

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Tarifa de 25%

A proposta foi apresentada pelo USTR, órgão responsável pela política comercial americana, após investigação sobre práticas brasileiras que, segundo os Estados Unidos, prejudicariam o comércio norte-americano.

Entre os pontos citados estão o comércio digital, o Pix, acordos tarifários do Brasil, regras de propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Medida sob consulta

A tarifa ainda não começou a valer. O processo prevê consulta pública, audiência nos Estados Unidos e prazo para que o governo americano decida se adotará a medida. Flávio disse que a proposta ainda pode ser negociada e defendeu que o governo Lula atue para evitar prejuízos a empresas brasileiras.

"É uma sugestão ainda, que entraria em vigor a partir de julho. Lula tem mais esse tempo para ir lá e negociar, para defender as empresas brasileiras", afirmou.

"Retaliação" a Lula

Apesar de dizer que pediu para que empresas brasileiras fossem poupadas, o senador atribuiu a iniciativa americana à relação política entre Trump e o presidente Lula (PT), provável adversário de Flávio na eleição presidencial de outubro.

"Trump sabe que Lula se mobiliza para tirar o dólar como padrão internacional de comercialização entre os países. Então quem está sendo retaliado não são as empresas brasileiras. Quem está sendo retaliado é o próprio Lula", declarou.

A investigação comercial americana foi aberta em 2025 e tem sido usada por Washington para pressionar o Brasil em temas econômicos, tecnológicos e ambientais. O governo brasileiro ainda poderá apresentar argumentos antes de uma decisão final sobre a tarifa.

Na quinta-feira (26) o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Globais Especialmente Designadas (SDGTs), a partir do próximo dia 5. A classificação ocorreu dois dias após Flávio se encontrar Donald Trump.

A iniciativa tem efeito direto na legislação norte-americana, mas pode produzir consequências no sistema financeiro, na cooperação policial, na política externa, no comércio exterior e no debate eleitoral brasileiro.

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