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Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC critica resistência ao fim da 6x1

Wellington Damasceno afirma que pautas trabalhistas só avançam no Congresso sob pressão popular e diz que o país reúne condições para reduzir a jornada sem cortar salários.

24/7/2026
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O novo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Damasceno, avalia que o Congresso Nacional não representa os interesses da classe trabalhadora e tem resistido ao avanço de pautas defendidas por sindicatos e movimentos sociais. Em entrevista ao Congresso em Foco, o dirigente afirmou que conquistas recentes, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o avanço da proposta que reduz a jornada de trabalho e põe fim à escala 6x1, só ocorreram por causa da mobilização da sociedade.

"O Congresso precisa ser, de fato, a voz e a representação do povo brasileiro, o que não é hoje. Não acredito que o Congresso reflita a sociedade. O Congresso tem sido muito agressivo às pautas de interesse dos trabalhadores e trabalhadoras."

Segundo Damasceno, a votação da proposta sobre a jornada de trabalho na Câmara é um exemplo de que a pressão popular pode alterar o cenário político, e o mesmo deverá ocorrer durante a análise da matéria pelo Senado. "Não tinha uma vontade política, mas a pressão popular foi fundamental. Vai precisar de pressão popular para o Senado e para outras pautas também", afirma o dirigente.

Redução da jornada

Embora o debate sobre o fim da escala 6x1 tenha ganhado força nos últimos meses, Damasceno afirma que a discussão sobre a redução da jornada acompanha o movimento sindical desde a década de 1980 e lembrou que a proposta de estabelecer uma jornada semanal de 40 horas chegou a ser debatida durante a Assembleia Nacional Constituinte, mas acabou prevalecendo o limite de 44 horas, mantido pela Constituição de 1988.

Na avaliação do dirigente, a experiência dos metalúrgicos do ABC demonstra que reduzir a jornada é economicamente viável. Ele ressalta que acordos coletivos firmados desde a década de 1990 estabeleceram jornadas de 40 horas em diversas empresas do setor, sem prejuízo à produção.

"Está comprovado que as empresas conseguiram se adaptar. Não quebraram. Pelo contrário, melhoraram a produtividade e diminuíram o número de afastamentos."

Para Damasceno, a discussão atual vai além da carga horária semanal e envolve a qualidade de vida dos trabalhadores. Segundo ele, duas folgas por semana significam mais tempo para a família, descanso, qualificação profissional e recuperação física.

O dirigente também afirma que o avanço tecnológico e os ganhos de produtividade das últimas décadas criaram condições para que o Brasil reduza a jornada sem comprometer a competitividade da indústria. "O Brasil já tem amadurecimento tecnológico, produtivo e otimização de custos suficientes para pagar essa conta", afirma.

Apesar de parte dos metalúrgicos do ABC já trabalhar em jornadas inferiores às 44 horas semanais, ele ressalta que a maioria da categoria ainda está submetida ao limite constitucional. Por isso, afirma que o sindicato continuará defendendo a redução da jornada e o fim da escala 6x1.

"A gente acredita que este é o melhor momento político e de consciência da sociedade para avançar nesse debate. É possível reduzir a jornada e acabar com a escala 6x1 sem reduzir salários."
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