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Republicanos de São Paulo perde ação judicial contra "Urna LGBT+"

Diretório estadual havia acusado associações de direitos da comunidade LGBT+ de campanha eleitoral antecipada.

22/7/2026
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O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou a ação apresentada pelo diretório estadual do Republicanos contra a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP) e o Instituto Plena Cidadania, que montaram um boneco inflável em formato de urna eletrônica com a inscrição "Vote LGBT 2026" na Parada do Orgulho LGBT este ano.

Na decisão, a juíza Domitila Manssur concluiu que a iniciativa não configura propaganda eleitoral antecipada, por não conter pedido explícito de voto nem favorecer candidatura, partido ou federação identificáveis.

Juíza entendeu que ausência de pedido explícito de votos afasta tese de propaganda eleitoral. Leandro Chemalle/Thenews2/Folhapress

Ação do Republicanos

O Republicanos sustentou que banners com frases como "A Rua Convoca. A Urna Confirma" e "Orgulho na Rua. Poder na Urna", além do boneco inflável gigante e da divulgação nas redes sociais, caracterizariam propaganda eleitoral antecipada disfarçada, com favorecimento a um segmento ideológico e quebra da isonomia entre futuros candidatos.

Na defesa, o Instituto Plena Cidadania afirmou que a campanha possui caráter cívico, educativo e apartidário, voltado ao estímulo da participação política e da representatividade da população LGBTQIA+, sem qualquer vínculo com candidatos ou partidos.

A APOLGBT-SP apresentou argumentos semelhantes e informou que toda a comunicação visual do evento havia sido autorizada pelos órgãos municipais competentes. A Procuradoria Regional Eleitoral também opinou pela rejeição da ação, entendendo que a campanha representa manifestação legítima em favor da diversidade e da inclusão social, sem pedido explícito de voto.

Decisão final

Ao analisar o caso, a juíza destacou que a legislação e a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral exigem pedido explícito de voto para a configuração de propaganda eleitoral antecipada, "afastando a configuração do ilícito com base em meras inferências, mensagens subliminares ou 'pedidos implícitos'".

Domitila Manssur acrescentou que as mensagens da campanha não fazem referência a qualquer candidatura específica. Conforme registrou na decisão, "trata-se de conclamação genérica e abstrata ao exercício da cidadania por um segmento social, incentivando a participação política e a busca por representatividade".

A magistrada ainda considerou que a campanha está protegida pela liberdade de expressão e de manifestação política. Em sua fundamentação, reforçou que a defesa de pautas sociais integra o pluralismo político e não pode ser confundida com propaganda destinada à captação de votos.

Erika ironiza

Em suas redes sociais, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) ironizou o caso. "O Republicanos PERDEU na justiça contra a Urna Viada! (...) Essa nossa heroína de corpo quadrado, que nasceu sem uma divisão clara entre seu torso, seu pescoço e sua cabeça, que tem um painel de números fixado em sua pele e mesmo assim segue sorrindo, saiu vitoriosa", comentou.

Segundo a congressista, a ação judicial é um reflexo dos valores dos partidos de direita, relembrando que o Republicanos é o mesmo partido do governador Tarcísio de Freitas e da senadora Damares Alves (DF). "São contra o direito ao voto das mulheres, são contra pessoas LGBTQIA+ votando, são contra a urna eletrônica e são contra a própria democracia", alegou.

Veja a íntegra da decisão.

Processo: 0600251-29.2026.6.26.0000 TRE-SP

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