O Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicou nesta semana a nova edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados e análises sobre os índices de criminalidade em todos os estados do país ao longo de 2025. O relatório aponta queda expressiva nos roubos de celulares, enquanto os estelionatos mantiveram trajetória de crescimento e permaneceram como o principal crime patrimonial do país.
Os roubos de celulares diminuíram 18,6% em 2025, passando de 377.787 para 308.723 ocorrências. A redução foi registrada em 26 unidades da federação. O Rio de Janeiro foi a única exceção, com alta de 19,4%.
Os furtos de celulares, por outro lado, permaneceram praticamente estáveis, com crescimento de 0,9%, e passaram a representar seis de cada dez aparelhos subtraídos no país.
O anuário apresenta diferentes hipóteses para explicar a redução dos roubos. Uma delas é o maior risco enfrentado pelos criminosos nessa modalidade, que exige contato direto com a vítima, uso de violência ou ameaça e amplia as chances de reação, intervenção de terceiros, prisão ou identificação por câmeras.
Segundo o Fórum, a expansão do monitoramento urbano, a atuação das forças de segurança e mudanças de comportamento da população também podem ter elevado o custo do roubo em relação ao furto, normalmente praticado sem confronto.
Outro fator apontado é a redução da rentabilidade dos aparelhos roubados. O Programa Celular Seguro reunia mais de 3 milhões de dispositivos cadastrados até 2025 e permite bloquear rapidamente linhas telefônicas, celulares e contas vinculadas.
O anuário avalia que ferramentas desse tipo reduziram o retorno financeiro dos roubos ao dificultarem o acesso a aplicativos bancários. O avanço de mecanismos tecnológicos que impedem o desbloqueio e a revenda dos aparelhos também teria diminuído o valor dos celulares no mercado ilegal.
Veja as cidades com maiores índices de roubos de celular:
Aumento de estelionatos
Na direção oposta aos roubos de celulares, os estelionatos continuaram em expansão e se consolidaram como o principal crime patrimonial do país. Foram registrados 2,2 milhões de casos em 2025, alta de 2,7% em relação ao ano anterior. O total inclui golpes tradicionais e fraudes eletrônicas.
Desde 2018, quando o anuário contabilizou 426 mil ocorrências, o número de estelionatos cresceu 429,8%, impulsionado pela migração de parte das atividades criminosas para o ambiente digital.
Os golpes eletrônicos avançaram ainda mais no último ano. Os registros passaram de 286 mil para 346,7 mil, alta de 20,6%. São Paulo apresentou a maior taxa geral de estelionatos, com 1,8 mil ocorrências por 100 mil habitantes, seguido pelo Distrito Federal, com 1,7 mil. Paraná, Rondônia, Santa Catarina, Espírito Santo e Goiás também superaram a marca de mil registros por 100 mil moradores.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que a baixa possibilidade de responsabilização contribui para tornar os golpes financeiramente atraentes. Dos mais de 2,2 milhões de boletins de ocorrência registrados em 2025, apenas 63,7 mil deram origem a processos penais, o equivalente a 2,8% do total.
O número de pessoas presas por estelionato chegou a 4,8 mil. Apesar do aumento das prisões e dos processos em relação a 2024, mais de 97% das ocorrências comunicadas às polícias não chegaram ao Poder Judiciário.