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Durigan diz que Trump retomou tarifas "na marra" contra o Brasil

Nova alíquota de 12,5% entra em vigor nesta sexta-feira e, somada a outra cobrança anunciada pelos Estados Unidos, pode elevar a sobretaxa sobre parte dos produtos brasileiros a 37,5%.

24/7/2026
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros é uma tentativa do governo Donald Trump de restabelecer "na marra" as chamadas tarifas recíprocas, derrubadas pela Suprema Corte americana.

A cobrança entra em vigor nesta sexta-feira (24), quando termina o prazo de validade da tarifa global de 10% adotada pelo governo americano em fevereiro. Segundo Durigan, a nova medida funciona como substituta da taxação anterior.

Durigan vê em nova taxação "mero expediente" do governo dos Estados Unidos para driblar decisão da Suprema Corte do país, que havia derrubado tarifas anteriores.Gabriela Biló/Folhapress

"Essa tarifa pega 99% das importações para os Estados Unidos, considerando todos os países, o que me faz concluir que é ummero expediente para substituir aquela tarifa anterior, que caiu na Suprema Corte", afirmou o ministro em entrevista à BandNews TV.

Durigan lembrou que Trump havia anunciado que buscaria outro instrumento jurídico para retomar as cobranças. "O próprio presidente Trump disse que daria um jeito de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito. Não tem justificativa. Deram um jeito de, na marra, colocar a tarifa", declarou.

Tarifa pode chegar a 37,5%

A nova taxação alcança cerca de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. As alíquotas variam entre 10% e 12,5%, de acordo com o grau de cumprimento, na avaliação americana, de medidas destinadas a impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Países que adotaram mecanismos considerados adequados pelo governo americano foram submetidos à alíquota de 10%. O Brasil e outras economias foram enquadrados na tarifa de 12,5%.

A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que permite investigações e retaliações contra práticas consideradas desleais ao comércio americano.

No caso brasileiro, a nova cobrança pode ser somada à tarifa de 25% anunciada anteriormente pelo governo Trump. Com a sobreposição, parte dos produtos exportados pelo Brasil poderá enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%.

Mais de 2 mil itens, entre eles produtos importantes da pauta brasileira de exportações, foram incluídos em uma lista de exceções elaborada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR.

Governo brasileiro rejeita justificativa

Durigan classificou a medida como "injustificada e unilateral" e afirmou que o governo brasileiro manteve conversas com a administração Trump de "boa-fé".

"O governo rechaça, com todas as forças, mais essa tarifa injustificada, unilateral, aplicada a um país que tem renda per capita menor do que os Estados Unidos e tem déficit em relação aos EUA", disse.

O ministro afirmou que o governo ainda tenta compreender a motivação das sucessivas medidas contra o Brasil. "A gente mesmo se pergunta o porquê das tarifas. Tivemos várias conversas, na maior boa-fé, diferentemente do que se alegou, e, mais uma vez, a gente é punido", declarou.

Crédito às empresas afetadas

Segundo Durigan, o governo pretende manter as negociações com Washington e ampliar o apoio às empresas brasileiras prejudicadas pelas novas tarifas.

Entre as medidas previstas estão linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de outros instrumentos do programa Brasil Soberano, criado para reduzir os efeitos do tarifaço sobre exportadores.

O governo brasileiro também avalia medidas comerciais e diplomáticas para contestar as cobranças, sem abandonar as tentativas de negociação direta com a administração americana.

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