Notícias

Em derrota para Michelle, PL oficializa Alcides Fernandes ao Senado

Diretório cearense confirmou aliança com Ciro Gomes e candidatura única do pai de André Fernandes ao Senado.

24/7/2026
Publicidade
Expandir publicidade

Em convenção estadual, o PL do Ceará confirmou a candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes ao Senado na chapa encabeçada pelo ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), candidato ao governo do Estado. A deputada Priscila Costa, apoiada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para a disputa majoritária, concorrerá à reeleição para a Câmara dos Deputados.

"É com muita honra, energia e disposição que aceito essa missão. Enfrentar as facções criminosas, dar um basta nos abusos do STF e trazer recursos e investimentos para o nosso Ceará são as minhas prioridades", escreveu Alcides Fernandes nas redes sociais. A segunda vaga ao Senado na coligação está cotada ao ex-deputado Capitão Wagner (União).

A definição da chapa representa uma vitória política do presidente estadual do PL, deputado André Fernandes (PL-CE), sobre Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama defendia uma coligação liderada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), com o Partido Liberal ocupando as duas vagas ao Senado, uma delas destinada a Priscila Costa.

Ciro agradeceu o apoio recebido. "Nós estamos, talvez, dando aqui do Ceará um exemplo para o Brasil de diminuir essa radicalização política, de diminuir essa confrontação ideológica, para trabalharmos juntos (...) para ajudar o nosso povo a superar os seus problemas".

Alcides Fernandes é pai do presidente do PL do Ceará, deputado André Fernandes. Divulgação/Alcides Fernandes

Crise no PL

A composição da chapa provocou um embate na direção nacional do PL. Michelle Bolsonaro, que presidia o PL Mulher até o fim de junho, defendia uma aliança de perfil ideológico. Na avaliação da ex-primeira-dama, Eduardo Girão era o nome mais adequado para disputar o governo do Ceará por sua proximidade histórica com a família Bolsonaro.

André Fernandes, por outro lado, sustentava que a aliança com Ciro Gomes ampliaria as chances da oposição de derrotar o governador Elmano de Freitas (PT). A estratégia, apoiada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) antes mesmo do lançamento de sua pré-campanha presidencial, previa a formação de uma frente ampla, incluindo a federação PP-União Brasil.

Nesse arranjo, o PL lançaria apenas Alcides Fernandes ao Senado, abrindo mão da segunda vaga. A decisão excluía Priscila Costa da disputa majoritária, o que levou Michelle Bolsonaro a confrontar publicamente André Fernandes e Flávio Bolsonaro em defesa da deputada.

No fim de junho, a crise ganhou dimensão nacional quando Michelle publicou um vídeo de cerca de 40 minutos nas redes sociais. Nele, acusou Flávio Bolsonaro e André Fernandes de abrirem mão dos valores da sigla e da representação feminina em favor de um candidato que historicamente fez oposição a Jair Bolsonaro, além de alegar que aliados de Flávio incentivavam ataques coordenados contra ela na internet.

Nas semanas seguintes, Flávio tentou conter o desgaste, mas sem sucesso. Michelle chegou a renunciar à presidência do PL Mulher. Na quinta-feira (23), o senador pediu desculpas publicamente pelo conflito e ressaltou que reconhece a importância da ex-primeira-dama para o partido. Michelle aceitou o pedido de perdão.

Destino de Priscila Costa

Após a convenção, Priscila Costa afirmou nas redes sociais que fez tudo o que estava ao seu alcance para viabilizar a candidatura ao Senado. "Enfrentei muitas dificuldades, situações adversas e outras até injustas. Mas o que quero dizer aqui, no meio dessa guerra, é que, como todo cearense, eu enfrentei tudo isso como a nossa gente me ensinou, permanecendo de pé", declarou.

Segundo a deputada, sua mobilização buscava assegurar a presença feminina na chapa. "Sei quem eu sou, sei o que eu defendo, sei pelo que luto e sei que o Ceará precisa de mulheres que permaneçam de pé. Mesmo quando tentam empurrá-las para o lado, negociar sua coerência e diminuir a sua voz. Uma mulher de fé pode ser serena sem ser fraca."

Confirmada como candidata à reeleição para a Câmara, Priscila disse que continuará cumprindo sua missão política. "A minha missão não é sobre ambição ou projeto de poder, é sobre propósito. E eu entendi que, quando assumimos um propósito, diante do corpo e diante de Deus, fugir dele não é uma opção", concluiu.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos