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Mulheres continuam abandonadas pelos partidos, diz Gabriela Rollemberg

Fundadora do Quero Você Eleita critica a distribuição de recursos e propõe reserva de cadeiras para acelerar a igualdade.

5/8/2026
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A advogada Gabriela Rollemberg, fundadora da rede Quero Você Eleita, revelou em entrevista ao Congresso em Foco que as eleições deste ano seguem repetindo problemas observados em pleitos anteriores na promoção de candidaturas femininas. De acordo com ela, os partidos ainda demonstram desinteresse em fortalecer campanhas lideradas por mulheres, inclusive impondo barreiras internas.

"As mulheres continuam sendo abandonadas pelos seus partidos políticos, são lançadas sem que tenham recursos suficientes para uma candidatura de sucesso e sem esse apoio de dentro do partido para que, de fato, essas mulheres sejam eleitas", apontou. Apesar dos avanços recentes com a criação de leis voltadas à inclusão eleitoral feminina, segundo ela, ainda há pouco compromisso com o cumprimento dessas regras.

Gabriela Rollemberg destaca que a má distribuição de recursos é parte de um problema mais amplo de violência política de gênero. "Toda mulher que se lança no desafio da política coloca em risco a sua própria existência, não importa o cargo, não importa o partido, não importa o país", disse.

Segundo a advogada, não há entre os principais partidos uma intenção real de eleger candidatas mulheres, mas sim um interesse em atender exigências burocráticas. "Muitos desses recursos acabam financiando muito mais campanhas masculinas, por exemplo, quando a gente coloca a destinação desse recurso para uma candidata a vice ou para uma suplente de senador", explicou.

Essas dificuldades tornam imperativa a vigilância por parte da sociedade civil e do próprio eleitor na hora de escolher seus representantes. "Eu costumo dizer que os partidos querem apenas mulheres candidatas, mas as mulheres não querem mais só ser candidatas, elas querem ser eleitas", comentou.

Reserva de cadeiras

Para a fundadora do Quero Você Eleita, a forma mais eficaz de assegurar a representatividade feminina seria a criação de reservas de vagas no próprio Parlamento. "A gente tem a necessidade de ter uma cota de cadeiras, para que a gente possa, de fato, saltar o número de representação que a gente tem hoje, de uma forma que a gente possa avançar".

Ela alertou que o Brasil ocupa o último lugar na América Latina em proporção de mulheres eleitas e que as atuais normas eleitorais não são capazes de mudar esse cenário em tempo hábil. "Se a gente mantiver as regras que estão vigentes e o ritmo de crescimento que a gente tem, a gente vai demorar pelo menos 130 anos para alcançar a igualdade", pontuou.

Efeito digital

Gabriela Rollemberg também falou sobre o impacto da digitalização do debate político para as candidaturas femininas. Na avaliação dela, o fenômeno traz ganhos e perdas, o que exige atenção do poder público.

"A internet democratizou os espaços. Isso traz, sim, benefícios, então a gente tem, com certeza, muitas lideranças femininas que conseguem avançar em decorrência disso, conseguem se consolidar enquanto lideranças dentro das suas áreas, mas a gente também tem o outro lado da moeda, que é o discurso de ódio", ponderou.

Nesse sentido, o discurso de ódio extrapola a esfera eleitoral. O ambiente virtual também abre espaço para grupos que promovem e monetizam deliberadamente a violência de gênero, além de ampliar o alcance de movimentos que se posicionam em prol da supressão de direitos políticos das mulheres, inclusive o direito ao voto.

"Então a gente precisa regular essas plataformas em relação, principalmente, à monetização desse tipo de discurso de ódio, para que a gente não permita que essas pessoas, de fato inclusive, possam fazer dinheiro em cima de corpos femininos", defendeu.

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