Neste Dia dos Pais, os plenários brasileiros oferecem um retrato particular da relação entre gerações. Em diferentes partidos e regiões, filhos seguiram os passos dos pais, herdaram redutos eleitorais ou passaram a dividir com eles espaços no Legislativo e no Executivo.
Os exemplos mais diretos estão no próprio Congresso. De Alagoas, Renan Calheiros e Renan Filho (MDB) exercem simultaneamente mandatos no Senado. De Pernambuco, Eduardo da Fonte e Lula da Fonte (PP) são colegas na Câmara dos Deputados. Da Bahia, o senador Angelo Coronel é pai do deputado federal Diego Coronel (Republicanos).
Harmonia entre Poderes no almoço de domingo
Antes de chegar à presidência, Jair Bolsonaro chegou a dividir o Congresso com um de seus filhos. Entre fevereiro de 2015 e dezembro de 2018, Jair e Eduardo Bolsonaro exerceram simultaneamente mandatos de deputado federal, embora eleitos por Estados diferentes: o pai pelo Rio de Janeiro e o filho por São Paulo.
Ao migrar para o Executivo, o ex-presidente ainda tinha como aliados Eduardo, na Câmara dos Deputados, e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no Senado. Hoje, o filho mais velho busca seguir os passos do pai e ascender à presidência, enquanto Jair Renan, o mais novo, busca vaga de deputado federal por Santa Catarina, e Carlos almeja vaga no Senado.
Dos palácios para o Parlamento, laços de sangue e sobrenome
Algumas famílias distribuem seus integrantes por diferentes Poderes. O senador Jader Barbalho (MDB), do Pará, é pai do governador Helder Barbalho e do ex-ministro das Cidades, Jader Filho. Elcione Barbalho, mãe de Helder e Jader Filho, também integra a Câmara.
Da Paraíba, o ex-deputado e ex-prefeito Enivaldo Ribeiro é pai do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) e da senadora Daniella Ribeiro (PP). A terceira geração já ingressou na política: Lucas Ribeiro, filho de Daniella, chegou à vice-governadoria do Estado.
Outro exemplo paraibano envolve o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele é filho de Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos, ex-deputado estadual e candidato ao Senado. Seu avô, Edivaldo Motta, também foi deputado federal.
Legado e votos entre gerações
O parentesco pode reduzir barreiras de entrada. Um sobrenome conhecido facilita a apresentação ao eleitor, a obtenção de apoio partidário e a mobilização de estruturas já testadas em campanhas anteriores. Em alguns casos, a sucessão é declarada.
Do Piauí, Átila Lira encerrou uma trajetória de oito mandatos na Câmara e apoiou a eleição do filho, que adotou o mesmo nome eleitoral. Átila de Melo Lira (PP) assumiu o primeiro mandato em 2023.
Fernando Coelho Filho (União), de Pernambuco, deu continuidade à tradição política do ex-senador Fernando Bezerra Coelho. Pedro Campos (PSB), por sua vez, é filho do ex-governador Eduardo Campos. Ele não foi o único a seguir os passos do pai: seu irmão João Campos é ex-prefeito do Recife e disputa o governo do Estado.
A Bahia também possui histórico de sucessão. Gabriel Nunes (PSD) chegou à Câmara em 2023 após três mandatos federais do pai, José Nunes. Já Otto Alencar Filho renunciou ao cargo em dezembro do ano passado, mas é outro exemplo de que descendentes podem aprender o sucesso político dos pais. Nesse caso, Otto Alencar (PSD) está em seu oitavo mandato.
Levantamento do Congresso em Foco demonstra que a hereditariedade na política brasileira é maior do que se imagina. Ao menos 60 parlamentares em exercício têm filhos eleitos ou chegaram a seus cargos com apoio político dos pais.
Entre ex-senadores e ex-deputados, há também membros do Executivo, como prefeitos e governadores, que têm descendentes no Congresso Nacional. Seja porque a política está no sangue, ou pela facilidade que o sobrenome traz, a lista é grande: