Notícias

Ao menos 15 candidatos ao Senado escolhem parentes como suplentes

Entre os casos, Michelle Bolsonaro escolheu o irmão como primeiro suplente, enquanto Helder Barbalho terá o pai, Jader Barbalho, na chapa; composições ainda podem mudar até 15 de agosto. Veja a lista.

11/8/2026
Publicidade
Expandir publicidade

Quando o senador Jader Barbalho (MDB-PA) chegou ao Senado, em 1995, seu pai, Laércio Barbalho, era o primeiro suplente. Em 2001, depois que Jader renunciou ao mandato, Laércio foi convocado para ocupar a cadeira, mas também abriu mão da vaga. Na época, o paraense vivia um embate histórico com o também senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Vinte e cinco anos depois, a relação familiar reaparece com os papéis invertidos: Jader integra agora a chapa do filho, Helder Barbalho (MDB), candidato ao Senado pelo Pará.

O caso dos Barbalho está longe de ser isolado. Levantamento do Congresso em Foco, atualizado nesta segunda-feira (10), identificou ao menos 15 candidatos ao Senado que escolheram parentes próprios para uma das duas suplências. São seis filhos ou filhas, quatro cônjuges, três irmãos ou irmãs, um pai e uma tia. Os casos se espalham por nove unidades da Federação, com maior concentração no Piauí e em Roraima, três em cada. Entre os que indicaram parentes para compor a chapa, cinco são senadores que concorrem à reeleição: Chico Rodrigues (PSB-RR), Ciro Nogueira (PP-PI), Eduardo Braga (MDB-PA), Marcelo Castro (MDB-PI) e Styvenson Valentim (Podemos-RN).

Em sentido horário: Helder e o pai Jader Barbalho; Sandra e o marido Eduardo Braga; Bia Kicis e o filho Samuel; Diego Torres e a irmã Michelle Bolsonaro.Montagem Congresso em Foco

Já entre aqueles que buscam o primeiro mandato está Michelle Bolsonaro (PL-DF), que escolheu o irmão Diego Torres Dourado como primeiro suplente. A composição foi oficializada na convenção do PL no Distrito Federal, realizada em 2 de agosto. Na ausência de Michelle, Diego chegou a ler uma carta enviada pela irmã aos participantes do encontro.

Diego é irmão de Michelle por parte de pai. Ex-militar da Aeronáutica, ele já ocupou cargos de confiança no Ministério da Defesa, no Senado e no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo. A escolha de Diego não é o único vínculo familiar na chapa do PL no Distrito Federal. Bia Kicis, a outra candidata da legenda ao Senado, colocou o filho Samuel Kicis como primeiro suplente. O partido também lançou outro irmão de Michelle, Eduardo Torres, para deputado distrital.

Filhos, cônjuge, irmão e tia estão entre os parentes indicados por candidatos ao Senado como suplentes.Arte Congresso em Foco

O levantamento considera pedidos de registro já apresentados à Justiça Eleitoral e composições formalizadas ou divulgadas após as convenções partidárias. A relação ainda é provisória, já que os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas e podem alterar a composição das chapas até lá.

A escolha dos suplentes tem consequência direta sobre o mandato. O eleitor não vota separadamente neles: ao escolher um candidato ao Senado, elege também os dois suplentes de sua chapa. Em caso de afastamento ou vacância, o primeiro suplente pode assumir a cadeira. O segundo é chamado caso o primeiro não possa fazê-lo.

Parentes já assumiram cadeiras

Há casos recentes em que familiares escolhidos para a suplência efetivamente exerceram o mandato. Sandra Braga, mulher do senador Eduardo Braga, assumiu a cadeira quando o marido se afastou para comandar o Ministério de Minas e Energia. Em 2026, ela volta a ser a primeira suplente da chapa de Braga, que busca a reeleição.

Situação semelhante ocorreu com Ciro Nogueira. Ele foi eleito em 2018 tendo a mãe, Eliane Nogueira, como primeira suplente. Ela tomou posse no Senado em 2021, quando o filho assumiu a Casa Civil do governo Jair Bolsonaro. Neste ano, Ciro mantém a suplência em família, mas troca a mãe pelo irmão Raimundo Neto, escolhido como primeiro suplente.

O Piauí tem outros dois casos: o senador Marcelo Castro colocou o filho Dário Castro como segundo suplente, enquanto Tiago Junqueira (PL) escolheu a mulher, Jhamya Junqueira, para a primeira suplência.

Em Roraima, são três casos: o senador Chico Rodrigues tem o filho Pedro Arthur Rodrigues como primeiro suplente; Pastor Isamar Ramalho (União Brasil) escolheu o filho Isamar Júnior; e Teresa Surita (MDB) colocou a filha Luciana Surita na segunda suplência.

Legislação permite parentes

A legislação eleitoral em vigor não proíbe especificamente que um candidato ao Senado escolha parentes para a suplência.

Uma proposta em tramitação no Congresso tenta mudar essa regra. O projeto de lei complementar (PLP) 253/2020, apresentado pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), torna inelegíveis para a suplência cônjuges, companheiros e parentes em linha reta, colateral ou por afinidade até o terceiro grau do candidato titular. O projeto está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e aguarda a designação de relator.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos