Cinco candidatos ao governo de Minas Gerais participam neste domingo (16), às 20h, do primeiro debate televisionado da disputa pelo Palácio Tiradentes nas eleições de 2026. O encontro, promovido pela Band, será realizado em Belo Horizonte.
Participam Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD).
Patrus Ananias (PT) também foi convidado, mas não participará. O candidato esteve neste domingo em São Bernardo do Campo (SP), onde participou do lançamento da campanha à reeleição do presidente Lula (PT).
O encontro estava previsto inicialmente para 9 de agosto, mas foi adiado diante das indefinições sobre as candidaturas ao governo mineiro. Minas tem mais de 16 milhões de eleitores e é o segundo maior colégio eleitoral do país.
A Band adotou como critério para os convites partidos ou federações com pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional.
O debate terá transmissão pela TV Band, BandNews FM, YouTube e pelas plataformas digitais da emissora.
Acompanhe:
"Você está em Nárnia?", questiona Kalil a Mateus Simões
Ao responder a uma pergunta sobre feminicídio, Alexandre Kalil (PDT) afirmou que o combate à violência doméstica é responsabilidade do governo estadual e criticou a gestão de Mateus Simões (PSD).
Kalil também retomou uma declaração feita em 2022, quando era prefeito de Belo Horizonte e afirmou que o tema não estava sob sua alçada. Segundo ele, a responsabilidade caberia ao governo estadual, então comandado por Romeu Zema (Novo).
Ao confrontar Simões sobre a atuação do governo na área, Kalil questionou: "Você está em Nárnia?"
Cleitinho diz que Propag é mal necessário para Minas
A dívida de Minas Gerais com a União entrou no centro do debate quando Cleitinho defendeu seu voto favorável ao Propag, programa de renegociação das dívidas estaduais.
O senador classificou a medida como um "mal necessário" e comparou o programa a um tratamento de câncer.
Minas aderiu ao Propag no fim de 2025 para refinanciar a dívida com a União. Cleitinho afirmou que o próximo governador deverá buscar uma nova negociação com o governo federal para aliviar o peso do débito sobre as contas do estado.
Privatização da Cemig provoca embate
Cleitinho questionou Gabriel Azevedo sobre a possibilidade de privatização da Cemig.
O emedebista respondeu que não pretende vender a estatal caso seja eleito. Na sequência, Cleitinho criticou o valor das contas de energia e defendeu que parte dos lucros da companhia seja usada para reduzir o custo pago pelos consumidores.
"Acionista é igual cabeça de bacalhau: ninguém sabe, ninguém viu", afirmou Cleitinho ao questionar quem se beneficia dos resultados da empresa.
Gabriel Azevedo, por sua vez, aproveitou o confronto para fazer um alerta sobre o entorno político do senador. Sem citar nomes, disse que há "um político mineiro cujo sobrenome rima com Vorcaro" e acrescentou: "Você é um cara do bem. Muito cuidado com quem você se cerca".
Kalil diz que não leu plano de governo
Alexandre Kalil admitiu durante o debate que não leu integralmente o próprio plano de governo.
A declaração ocorreu após Gabriel Azevedo questioná-lo sobre a ausência de propostas específicas para trabalhadores de aplicativos no documento.
"Que bom que você leu, porque eu não li, não. Eu li o resumo só", afirmou Kalil.
O ex-prefeito de Belo Horizonte disse que sua campanha ainda estuda os problemas do estado e rebateu a acusação de que teria adotado medidas contrárias aos trabalhadores de aplicativos durante sua gestão na capital.
Primeiro debate em Minas
O encontro estava previsto inicialmente para 9 de agosto, mas foi adiado em meio às indefinições sobre as candidaturas ao governo mineiro.
Minas Gerais tem mais de 16 milhões de eleitores e é o segundo maior colégio eleitoral do país. A situação fiscal do estado, a dívida com a União e a necessidade de investimentos em infraestrutura e serviços públicos estão entre os assuntos que devem aparecer no confronto.
Os cinco participantes chegaram ao debate em momentos distintos da disputa. Mateus Simões assumiu o governo após a renúncia de Romeu Zema e busca a reeleição.
Kalil volta a disputar o Palácio Tiradentes após concorrer em 2022. Cleitinho chegou a anunciar que não disputaria o governo, mas retornou à corrida eleitoral.
Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), faz sua estreia em uma eleição, enquanto Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, concorre pelo MDB.