Apenas 27 dos 567 congressistas em exercício nas cadeiras que serão renovadas neste ano (4,8%) não disputam nenhum cargo nas eleições de outubro. São 14 deputados e 13 senadores. Entre eles estão dois dos parlamentares mais experientes do país: Paulo Paim (PT-RS) e Aécio Neves (PSDB-MG), que chegaram ao Congresso em 1987, eleitos deputados constituintes.
Paim permaneceu desde então no Legislativo federal, em quatro mandatos na Câmara e três no Senado. Aos 76 anos, decidiu não buscar um quarto mandato e afirmou que chegou a hora de "passar o bastão" a uma nova geração. Aécio ficou na Câmara até 2002, período em que presidiu a Casa, governou Minas Gerais por dois mandatos, foi senador e voltou à Casa em 2019. Aos 66 anos, ficará fora de uma eleição geral pela primeira vez desde 1986. Presidente nacional do PSDB, pretende concentrar-se na reorganização da legenda e não considera a decisão uma aposentadoria política.
A ampla maioria dos atuais congressistas estará nas urnas. Na Câmara, 438 dos 513 deputados em exercício buscam a reeleição e outros concorrem a cargos diferentes. No Senado, entre os 54 parlamentares que ocupam as cadeiras em renovação, 32 tentam a reeleição e nove disputam outros cargos ou integram chapas como suplentes.
A conta inclui Sargento Reginauro (PSDB-CE), que substitui Eduardo Girão (Novo-CE), licenciado para disputar a Vice-Presidência, e não é candidato.
Há ainda sete deputados titulares licenciados que não disputarão nenhum cargo, mas ficam fora dos 27 porque suas cadeiras são ocupadas por suplentes contabilizados entre os 513 deputados em exercício. Guilherme Boulos (Psol-SP), Alexandre Padilha (PT-SP), Luiz Marinho (PT-SP) e José Guimarães (PT-CE) permaneceram no governo federal. Alex Santana (Republicanos-BA) e João Leão (PP-BA) assumiram cargos na Prefeitura de Salvador, e Fernando Giacobo (PSD-PR), a Secretaria das Cidades do Paraná.
Deputados que não concorrem
- Aécio Neves (PSDB-MG)
- Arnaldo Jardim (Cidadania-SP)
- Eriberto Medeiros (PSB-PE)
- Eunício Oliveira (MDB-CE)
- Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG)
- Jorge Braz (Republicanos-RJ)
- José Carlos Araújo (PDT-BA)
- José Rocha (União-BA)
- Josimar Maranhãozinho (PL-MA)
- Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR)
- Márcio Biolchi (MDB-RS)
- Meire Serafim (União-AC)
- Paulinho da Força (Solidariedade-SP)
- Simone Marquetto (PP-SP)
Deputados licenciados que também não concorrem
- Alex Santana (Republicanos-BA)
- Alexandre Padilha (PT-SP)
- Fernando Giacobo (PSD-PR)
- Guilherme Boulos (Psol-SP)
- João Leão (PP-BA)
- José Guimarães (PT-CE)
- Luiz Marinho (PT-SP)
Senadores que não concorrem
- Confúcio Moura (MDB-RO)
- Fernando Dueire (PSD-PE)
- Flávio Arns (PSB-PR)
- Giordano (Podemos-SP)
- Irajá (PSD-TO)
- Ivete daSilveira (MDB-SC)
- Jayme Campos (União-MT)
- Jorge Kajuru (PSB-GO)
- Luis Carlos Heinze (PP-RS)
- Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)
- Paulo Paim (PT-RS)
- Rodrigo Pacheco (PSB-MG)
- Sargento Reginauro (PSDB-CE), suplente de Eduardo Girão (Novo-CE)
Fim de ciclo reúne veteranos
Outros parlamentares também decidiram encerrar longas trajetórias eleitorais. Luis Carlos Heinze (PP-RS) anunciou aposentadoria depois de quase três décadas no Congresso. Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) cumpre a promessa feita ao se eleger, em 2018, de exercer apenas um mandato.
O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) recusou disputar o governo de Minas e disse que pretende "fechar o ciclo da política". Flávio Arns (PSB-PR) considera cumpridos os principais objetivos do mandato, e Jorge Kajuru (PSB-GO) avaliou outras candidaturas, mas ficou fora da disputa.
Na Câmara, Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) não buscará um décimo mandato consecutivo e segue na política, inclusive na campanha presidencial de Ronaldo Caiado. Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) anunciou uma "nova etapa" após mais de cinco décadas de vida pública, enquanto Márcio Biolchi (MDB-RS) pretende trocar o setor público pela iniciativa privada.
Saúde tira parlamentares da disputa
Eriberto Medeiros (PSB-PE) relacionou a desistência da reeleição à necessidade de cuidar da saúde. Eunício Oliveira (MDB-CE), que cogitou concorrer ao Senado, também citou tratamento de saúde para não enfrentar uma campanha.
Ivete da Silveira (MDB-SC), de 82 anos, desistiu de concorrer por problemas no joelho que limitam sua mobilidade e pretende apenas apoiar aliados em compromissos mais curtos.
Família mantém espaço nas urnas
Para alguns deputados, a saída coincide com candidaturas de familiares. Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG) não buscará um terceiro mandato enquanto o filho Vinícius Diniz concorre à Câmara. José Rocha (União-BA) passa o bastão eleitoral ao filho Manuel Rocha.
Paulinho da Força (Solidariedade-SP) abriu espaço para o filho Alexandre Pereira e, depois de não viabilizar candidatura ao Senado, decidiu concentrar-se no comando partidário.
No Acre, Meire Serafim (União) fica fora das urnas enquanto o marido, o ex-prefeito Mazinho Serafim (União), concorre a deputado federal. No Rio de Janeiro, Jorge Braz (Republicanos) apoiará o filho Alex Braz (Republicanos), candidato à Câmara.
Negociações mudam planos no Senado
Alguns senadores ficaram fora das urnas depois de tentativas frustradas de viabilizar uma candidatura. Fernando Dueire (PSD-PE) pretendia concorrer à reeleição, mas perdeu espaço na chapa governista de Pernambuco, que ficou com Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP). "Não fui acolhido para concorrer à reeleição", afirmou.
Jayme Campos (União-MT) queria disputar o governo de Mato Grosso, mas perdeu por 30 votos a 19 na convenção do União Brasil, que preferiu apoiar a reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Depois da derrota interna, decidiu não concorrer.
Confúcio Moura (MDB-RO) teve a candidatura à reeleição homologada, mas desistiu poucos dias depois, alegando que "acontecimentos políticos e partidários" haviam alterado as condições de seu projeto.
No Tocantins, Irajá (PSD) afirmou que seu nome foi excluído da ata da convenção. O partido contestou e disse que o próprio senador havia comunicado que não autorizava sua indicação. Senador e legenda divergem sobre as circunstâncias da saída.
Suplente efetivado com a morte do Major Olímpio (PSL-SP), em 2021, Giordano (Podemos-SP) também desistiu da disputa.
Outros motivos
Simone Marquetto (PP-SP) afirmou ter maior identificação com funções executivas e chegou a ser cogitada para candidaturas majoritárias, inclusive para vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), mas as articulações não avançaram.
José Carlos Araújo (PDT-BA), suplente em exercício, ficou fora das urnas em meio a uma disputa sobre sua filiação. O TRE-BA anulou sua inscrição no DC e restabeleceu o vínculo com o PDT depois que o deputado afirmou ter sido filiado à nova legenda sem consentimento.
O caso de Josimar Maranhãozinho (PL-MA) é diferente. Em março, a Primeira Turma do STF o condenou por corrupção passiva em processo sobre cobrança de propina em troca da destinação de emendas parlamentares. A condenação por órgão colegiado o tornou inelegível. Sem poder concorrer, passou a trabalhar pela eleição de familiares e aliados.