Notícias

Janja acusa Renan Santos de misoginia após fala em debate presidencial

Primeira-dama diz que candidato do Missão usou sua imagem para atingir Lula; Renan rebateu e afirmou que fez uma crítica política.

25/8/2026
Publicidade
Expandir publicidade

A primeira-dama Janja repudiou as declarações feitas pelo candidato à Presidência Renan Santos (Missão) durante o debate presidencial realizado no domingo (23). Em nota divulgada nesta segunda-feira (24), ela classificou as falas como pessoais e depreciativas e acusou o presidenciável de recorrer à misoginia para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Renan contestou a acusação e disse que fez uma crítica política a uma figura pública.

Ao comentar a ausência de Lula no debate, Renan afirmou que o presidente havia ficado com "aquela Janja" e que encontraria "companhias melhores" caso tivesse participado do encontro.

Em outro momento, voltou a mencionar a primeira-dama ao dizer: "Ou está bêbado ou está com a Janja. Melhor ficar bêbado".

A manifestação de Janja foi enviada à Band e lida durante o Jornal da Band. Na nota, a primeira-dama destacou que não é candidata e que não estava presente no debate para responder ao presidenciável.

"Situações como essa não podem ser normalizadas. O candidato atacou de forma pessoal e depreciativa uma mulher que não é candidata, não estava presente para se defender e não tinha qualquer relação com o tema em discussão."

Primeira-dama afirmou que o debate político não deve servir para expor ou ridicularizar mulheres.Claudio Kbner/PR

Janja afirmou ainda que a referência à sua relação com Lula não poderia ser considerada apenas uma crítica política.

"Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de pena está longe de ser uma crítica política. É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher como ferramenta misógina para atacar um adversário político."

Janja cita declarações anteriores

Na manifestação, a primeira-dama também associou o episódio a declarações anteriores de Renan relacionadas a mulheres. Ela citou um vídeo de 2017 em que o então ativista fez uma fala envolvendo o estupro de uma amiga.

"Episódios como esse não são um caso isolado. Renan Santos já esteve envolvido em declarações de violência contra as mulheres e incitou dezenas de homens a cometerem um estupro coletivo. É possível visualizar um padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres."

Renan já foi questionado sobre o vídeo durante a campanha. Em uma entrevista recente, ele afirmou que a declaração havia sido uma brincadeira, classificou o comentário como uma "piada infeliz" e disse estar arrependido.

Janja também afirmou que mulheres enfrentam dificuldades para serem ouvidas sem interrupções, desqualificações ou ataques e defendeu reação imediata a episódios que, em sua avaliação, depreciem mulheres.

"Debate político é ou deveria ser um lugar para apresentar propostas, confrontar ideias e discutir projetos para o nosso país. Não é lugar para expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é."

Renan nega misoginia e rebate primeira-dama

Após a divulgação da nota, Renan publicou um vídeo em que negou ter sido misógino. Segundo ele, a declaração foi uma crítica à primeira-dama como figura pública, e não um ataque motivado pelo fato de ela ser mulher.

"Não é misógino dizer que você não é uma boa companhia. Pare de ficar jogando tudo nessa história de misoginia."

O candidato acrescentou que, na avaliação dele, classificar críticas políticas dirigidas a mulheres como misoginia poderia restringir o debate público.

"Fazer uma crítica política a uma figura pública ser misoginia significa criminalizar todo o debate político que envolva mulheres."

Renan também reagiu à menção de Janja ao vídeo de 2017 e afirmou que, se eleito, pessoas "como ela" poderão ser condenadas e presas.

Declarações são levadas ao MPE

Além da troca de acusações, as falas de Renan foram levadas ao Ministério Público Eleitoral (MPE).

O candidato ao governo da Paraíba Olímpio Rocha (PSOL) apresentou nesta segunda-feira uma representação pedindo a apuração do episódio.

O documento aponta possível injúria eleitoral e eventual violação ao artigo 243 do Código Eleitoral, que proíbe propaganda que deprecie a condição da mulher.

A apresentação da representação não significa que Renan tenha cometido as infrações apontadas; caberá às autoridades eleitorais avaliar o pedido e os fatos relatados.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos