O presidente Lula defendeu nesta terça-feira (25) mais investimentos em Defesa para proteger o território e as riquezas do país. Candidato à reeleição, afirmou que o setor deve ser tratado como prioridade permanente. "A defesa não pode ser para quando sobrar dinheiro. Temos que preparar o país, não para a guerra, mas para a paz, e defender nosso território e riquezas", disse após a cerimônia do Dia do Soldado, no Quartel-General do Exército, em Brasília.
Lula citou as fronteiras terrestres e marítimas, as reservas florestais, os minerais críticos e o petróleo. "E nem sabemos tudo o que temos", afirmou. O discurso reforça declarações recentes do presidente. Na convenção nacional do PT, no início de agosto, ele pediu à esquerda que dê mais atenção à Defesa. Na semana passada, em visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), prometeu buscar recursos para concluir o primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear.
Investimento ficou abaixo
Apesar da defesa de mais recursos, os investimentos destinados às Forças Armadas no atual mandato ficaram abaixo dos registrados na gestão Jair Bolsonaro.
Dados do Siga Brasil citados por O Globo mostram R$ 40,7 bilhões reservados para investimentos no Exército, na Marinha e na Aeronáutica entre 2023 e 2026, ante R$ 45,7 bilhões entre 2019 e 2022 — diferença de 11%.
Na Ordem do Dia, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, destacou a modernização da Força e a integração com a indústria nacional de Defesa para reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras.
"Revolução" feminina
Lula também celebrou a entrada das primeiras mulheres pelo Serviço Militar Inicial Feminino. "Para um país com uma cultura machista, com as Forças Armadas com uma cultura machista, isso é mais do que uma evolução, é uma revolução comportamental", afirmou.
Segundo o presidente, a participação das novas soldados mostra que "a mulher pode estar em qualquer lugar, fazer qualquer coisa, desde que ela queira fazer". Tomás Paiva classificou 2026 como um "momento histórico" pela incorporação feminina.
Lula não responde sobre filho
Ao deixar a cerimônia, Lula foi questionado sobre apurações da Polícia Federal envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, mas não respondeu.
Em entrevista à Record no domingo (23), afirmou que ninguém ficará impune "se cometeu erro" e que Lulinha terá de "provar inocência". A cerimônia reuniu, entre outras autoridades, os ministros do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin e Gilmar Mendes, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.