A vereadora de São Paulo Amanda Vettorazzo (União Brasil), coordenadora da campanha presidencial de Renan Santos (Missão), deu voz de prisão a um homem após afirmar ter recebido uma oferta de R$ 200 mil para favorecer uma empresa em uma eventual licitação de câmeras corporais para a Guarda Civil Metropolitana (GCM).
O episódio ocorreu nesta terça-feira (25), dentro do gabinete da parlamentar na Câmara Municipal de São Paulo. O homem foi detido no local e levado ao 1º Distrito Policial, na Sé. O caso foi registrado e é investigado pela Polícia Civil sob suspeita de corrupção ativa.
Segundo o boletim de ocorrência e o depoimento prestado pela vereadora, o homem foi identificado como Diego Fernando Oporto Soliz.
Vettorazzo afirmou que ele ofereceu os R$ 200 mil como pagamento inicial e uma comissão sobre um eventual contrato caso ela utilizasse sua influência política para ajudar a empresa a avançar com o projeto.
De acordo com a parlamentar, a comissão seria de 5% a 10% sobre um contrato estimado em R$ 60 milhões. Nesse cenário, o valor poderia chegar a R$ 6 milhões.
Vereadora diz ter gravado conversa
Segundo Vettorazzo, a aproximação começou no primeiro semestre deste ano, durante conversas relacionadas a projetos de segurança pública.
Representantes da Oakmont Group teriam procurado a Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal, presidida pela vereadora, para apresentar soluções tecnológicas. Uma apresentação sobre câmeras corporais ocorreu em 16 de junho. Antes, também haviam sido apresentados sistemas de cibersegurança, drones para patrulhamento e tecnologias para localização de suspeitos e foragidos.
A vereadora afirma que, depois dos encontros, Diego passou a tratar da possibilidade de implantação das câmeras corporais na GCM. Segundo seu depoimento, ele teria oferecido uma porcentagem de um eventual contrato caso ela ajudasse a viabilizar o projeto e favorecesse a empresa na licitação.
Vettorazzo disse ter recusado inicialmente a proposta, mas afirmou que o homem continuou procurando seu gabinete. Em uma nova reunião nesta terça-feira, ele teria apresentado a oferta de R$ 200 mil como adiantamento.
A parlamentar afirmou que gravou a conversa antes de dar voz de prisão e acionar a polícia.
Empresa nega vínculo com homem
Em nota, a Oakmont Group afirmou que não possui em seu quadro nenhuma pessoa chamada Fernando e disse que vai apurar os fatos e eventuais responsabilidades.
A companhia também afirmou ter atuação baseada em ética, transparência e integridade. Segundo seu site, o grupo reúne empresas das áreas de tecnologia da informação, telecomunicações e cibersegurança, com soluções voltadas também para segurança pública e privada.
A Polícia Civil segue responsável pela apuração do caso.