Clubes da capital paulista e a Federação Paulista de Futebol (FPF) iniciaram uma articulação para tentar barrar ou alterar um projeto que restringe a publicidade de casas de apostas em eventos esportivos na cidade de São Paulo.
A movimentação ganhou força após a proposta avançar na Câmara Municipal e envolve reuniões entre dirigentes e conversas com o poder público.
A principal preocupação é o impacto da medida sobre contratos de patrocínio já firmados.
Corinthians, Palmeiras e São Paulo recebem juntos cerca de R$ 350 milhões fixos por ano somente com os patrocínios principais de suas camisas, sem considerar bônus, premiações e outras formas de exposição das marcas.
Estimativas do setor apontam que as perdas para o futebol paulista podem chegar a R$ 1 bilhão, a depender do alcance das restrições e dos contratos afetados.
A reação se intensificou após o projeto receber parecer favorável sobre sua legalidade na Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa (CCJ).
Na última sexta-feira, representantes dos clubes e da FPF se reuniram para discutir o assunto e acompanhar os próximos passos da proposta, a discussão também chegou ao prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Clubes temem desvantagem esportiva
Um dos argumentos usados na articulação é que uma proibição limitada à cidade de São Paulo poderia colocar os clubes da capital em desvantagem financeira diante de adversários de outros municípios e estados, que continuariam autorizados a receber recursos de casas de apostas.
O presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, afirmou que os contratos com empresas do setor se tornaram uma das principais fontes de faturamento das equipes e relacionou uma eventual queda de receitas à capacidade de investimento dentro de campo.
"Uma regra restrita à capital paulista vai enfraquecer os clubes diante de concorrentes nacionais e internacionais e comprometer, de maneira direta, a capacidade de disputar títulos."
A entidade também teme que a saída simultânea das bets aumente a oferta de espaços publicitários no mercado e reduza o poder de negociação dos clubes na busca por novos patrocinadores.
O crescimento desse mercado mudou a dimensão dos contratos de patrocínio no futebol.
No caso do Corinthians, por exemplo, o clube recebia R$ 17 milhões anuais de seu patrocinador principal em 2023. Atualmente, o contrato com uma casa de apostas prevê R$ 150 milhões fixos por ano, além de bônus por metas.
Projeto alcança estádios e eventos esportivos
A mobilização ocorre em torno do projeto de lei 560/2025, apresentado pelo vereador João Jorge (MDB) e que tramita com outros parlamentares como coautores.
O texto proíbe publicidade direta ou indireta de empresas de apostas esportivas e jogos de azar online em eventos esportivos realizados no município de São Paulo.
A proposta alcança eventos públicos e privados, profissionais ou amadores, e cita a exposição de marcas em placas, faixas e painéis instalados em espaços esportivos.
Na prática, as regras podem atingir estádios, propriedades comerciais negociadas pelos clubes e contratos de patrocínio.
O projeto prevê multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento e outras penalidades para reincidências, que podem chegar à proibição de realizar eventos esportivos na cidade por até dois anos. A justificativa da proposta menciona problemas como endividamento, conflitos familiares e impactos relacionados ao vício em apostas.
Enquanto o texto avança no Legislativo municipal, clubes e FPF devem manter a mobilização para tentar reduzir o impacto das restrições, principalmente sobre contratos que já estão em vigor.
Leia a íntegra do projeto.