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Após fala de Fachin, Dino questiona "promessa" de fim de inquérito

Ministro diz que crise no STF mistura "problemas reais e graves" com interesses eleitorais e econômicos e defende critérios legais para encerrar inquéritos.

6/9/2026
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O ministro Flávio Dino, do STF, afirmou neste domingo (6) que "problemas reais e graves" estão sendo misturados com "interesses eleitorais e econômicos, objetivos estrangeiros e até ódios pessoais" no debate sobre o Judiciário. Na mesma manifestação, publicada nas redes sociais, questionou a possibilidade de um magistrado "prometer" o encerramento de um inquérito.

A publicação ocorre dois dias depois de o presidente do STF, Edson Fachin, defender o fim do inquérito das fake news como uma das medidas para enfrentar a crise no tribunal. Dino não mencionou Fachin nem citou diretamente a investigação, mas contestou a ideia de que o tempo de tramitação, por si só, seja suficiente para determinar o arquivamento. "É possível a um julgador, qualquer que seja ele, 'prometer o final de um inquérito, como se fosse um candidato ou para receber aplausos?", escreveu.

Para Flávio Dino, debate sobre crise no STF é "atabalhoado".Pedro Ladeira/Folhapress

Dino disse ser favorável à conclusão das investigações, seja com o oferecimento de ações penais, seja com os arquivamentos cabíveis. Ressalvou, porém, que é preciso estabelecer, com base em critérios legais e regimentais, quando uma tramitação pode ser considerada excessivamente longa.

Na sexta-feira (4), ao comentar a crise no Supremo, Fachin apontou três prioridades de sua gestão: a adoção de um código de ética, o encerramento do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça.

Inquérito no centro da crise

Aberto em 2019 para apurar ataques e ameaças contra integrantes do Supremo, o inquérito das fake news é relatado por Alexandre de Moraes e acumula controvérsias sobre sua duração, abrangência e formato.

A investigação voltou ao centro das atenções nesta semana em meio ao embate entre Moraes e André Mendonça, relator de casos relacionados ao Banco Master e às fraudes em benefícios do INSS.

Moraes pediu que a atuação de Mendonça fosse investigada no âmbito do inquérito das fake news. Fachin, porém, retirou o pedido desse procedimento diante da necessidade de verificar a regularidade da medida e avaliar as acusações apresentadas por Moraes.

A disputa escalou após Mendonça retirar o sigilo de relatórios produzidos pela Polícia Federal a seu pedido. Os documentos continham mensagens e informações que citavam autoridades de diferentes órgãos, entre elas Moraes, no contexto das apurações relacionadas ao Banco Master.

Flávio Dino atribui crise no STF a "interesses eleitorais e econômicos".Pedro Ladeira/Folhapress

Críticas ao funcionamento do STF

Além da duração dos inquéritos, Dino abordou outros dois temas que, segundo ele, exigem maior aprofundamento: as decisões monocráticas e a competência criminal da Corte.

O ministro defendeu as decisões individuais como necessárias ao funcionamento de um sistema de precedentes vinculantes e argumentou que obrigar questões com jurisprudência consolidada a passar pelos colegiados aumentaria a morosidade.

Sobre a jurisdição penal, afirmou que retirar essa competência do Supremo exigiria definir para onde os processos seriam transferidos e deveria ocorrer por meio de uma reforma planejada.

Ao concluir a publicação, Dino disse que "institucionalidade é um assunto muito sério para ser embaralhado com interesses eleitorais ou com mentiras".

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