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Messias rebate relatório da PF e recebe apoio de entidades da AGU

Advogado-geral nega influência de amizades em decisões institucionais. Associações dizem que divergência jurídica não pode ser transformada em suspeição.

7/9/2026
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O advogado-geral da União, Jorge Messias, e entidades que representam as carreiras da Advocacia Pública Federal reagiram a um relatório de inteligência da Polícia Federal que levantou hipóteses sobre a atuação da AGU diante de decisões do ministro André Mendonça, do STF. Messias rejeitou a influência de "amizades" ou "afinidades" em sua atuação, enquanto as associações defenderam a independência técnica do órgão.

O documento, divulgado pelo ministro Alexandre de Moraes em meio à crise no STF envolvendo os casos Master e INSS, analisou a decisão da AGU de não atender a pedidos para contestar medidas adotadas por Mendonça em investigações sob sua relatoria.

Messias destacou que tem o respaldo e a orientação do presidente Lula.Reprodução/X

Entre as explicações consideradas pela PF está a "preservação de relação política" entre Messias e Mendonça. O relatório cita o apoio público do ministro à indicação do advogado-geral para uma vaga no Supremo e a proximidade entre ambos. Também menciona a possibilidade de as medidas solicitadas não serem juridicamente cabíveis e a cautela para evitar um confronto institucional.

As hipóteses não representam conclusão de que a relação entre os dois tenha determinado a postura da AGU. O uso do documento por Alexandre de Moraes gerou polêmica por não ter caráter probatório.

Messias cita independência e respaldo de Lula

Em manifestação divulgada no domingo (6), Messias afirmou que decisões de Estado devem seguir critérios técnicos e constitucionais.

Instituições devem dialogar "às claras" e respeitar a independência e as competências de cada Poder, diz Messias.Pedro Ladeira/Folhapress

"Questões de Estado devem ser tratadas à altura dos mandamentos constitucionais, com impessoalidade, fundamento técnico e transparência. A função pública jamais deve se orientar por amizades, afinidades ou circunstâncias pessoais, mas pela Constituição e pelas regras da República", escreveu.

O advogado-geral também defendeu que instituições dialoguem "às claras" e respeitem as competências de cada Poder. Ao citar o presidente Lula, afirmou ter "o necessário respaldo para executar minhas atribuições, com independência técnica, rigor jurídico e absoluta fidelidade à Constituição".

Entidades defendem atuação da AGU

Nesta segunda-feira (7), cinco entidades das carreiras da Advocacia Pública Federal se manifestaram sobre o episódio. Assinam a nota Anafe, Anauni, Anajur, Anpprev e Sinprofaz.

As associações criticaram o uso de relações pessoais ou afinidades políticas para colocar em dúvida decisões institucionais antes da análise de seus fundamentos jurídicos.

"O que não se mostra adequado é converter uma divergência de estratégia jurídica em elemento de suspeição antes do conhecimento e da avaliação dos fundamentos técnico-jurídicos que orientaram a decisão institucional", afirmam.

A nota não cita Messias ou Mendonça nominalmente. A AGU, por sua vez, sustenta que não adotou as providências solicitadas pela PF por critérios técnicos e jurídicos e por não ter competência constitucional ou legal para fazê-lo.

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