O presidente Lula defendeu a retirada dos sigilos relacionados às investigações do Banco Master e acusou o ministro André Mendonça, do STF, de divulgar seletivamente informações do caso.
"Abra-se o sigilo de telefone de todo mundo. Aquilo que o André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado e só soltando aquilo que interessava para ele, agora pode ser aberto para toda a sociedade saber quem estava metido nisso", disse Lula em entrevista ao Jornal da Record na noite de terça-feira (15).
O presidente também questionou por que Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques não participaram da votação realizada pelo Supremo e defendeu que as investigações alcancem integrantes do Judiciário e da classe política.
"Por que é que o Toffoli não votou? Por que é que o Kássio não votou? Quem é que levou dinheiro? Quem é que participou dessa trama do Vorcaro?", indagou.
Lula chamou o grupo ligado ao ex-controlador do Banco Master de "quadrilha" e pediu uma apuração sem distinção. "Vamos colocar o Brasil a nu e investigar para ver se a gente consegue fazer o Brasil ser melhor para o povo brasileiro. Não tem trégua. É preciso investigar todos, todos, sem distinção."
Credibilidade e apuração
Ele também afirmou que o Supremo precisa preservar sua credibilidade. "Não há como o povo brasileiro ver a Suprema Corte perder sua credibilidade na sociedade. A instância máxima da Justiça brasileira precisa ser exemplo. Então que se apure com todo o rigor."
As declarações ocorreram horas depois da sessão extraordinária em que o STF discutiu os casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça relacionados às investigações sobre o Master. O julgamento foi interrompido após pedido de vista de Flávio Dino.
Suspensão de sigilo
Mendonça já havia retirado o sigilo de 15 procedimentos ligados à Operação Compliance Zero, após solicitação de Edson Fachin. O STF informou ter liberado 25,3 GB de documentos, vídeos e áudios, num total de cerca de 4 mil arquivos.
A controvérsia surgiu porque parte do material permaneceu sob reserva. Alexandre de Moraes acusou Mendonça de fazer uma "escolha seletiva" e afirmou que cerca de 180 documentos continuavam sob sigilo. A PGR também pediu a ampliação da publicidade, sob o argumento de que a divulgação parcial poderia transmitir uma "ideia equivocada" sobre a transparência do caso.
Fachin determinou então a retirada do sigilo de todos os documentos relacionados à operação, ressalvadas diligências cuja divulgação pudesse comprometer as investigações.
Mendonça rejeitou a acusação de seletividade e afirmou ter disponibilizado integralmente o material que poderia tornar público. Segundo ele, o que permaneceu sob reserva envolvia investigações em andamento e dados pessoais, bancários e fiscais de pessoas e empresas investigadas.