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"Toma seu Careca, toma seu Vorcaro": Jardim critica polarização

Coordenador de mobilização de Caiado diz que ataques dominam campanha, vê eleição contaminada pela crise no STF e critica empobrecimento do debate político.

16/9/2026
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Coordenador de mobilização da campanha de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) atribui à polarização e ao predomínio de ataques a dificuldade de propostas ganharem espaço na disputa. "O debate é se é o Careca do INSS ou se é o seu Vorcaro. Então, toma o seu Careca, toma o seu Vorcaro. É isso que ocupa 90% dos posicionamentos", afirmou em entrevista ao Congresso em Foco.

Segundo Jardim, a campanha está concentrada nos problemas dos adversários, enquanto temas como crise fiscal, desenvolvimento, infraestrutura e educação ficam em segundo plano. "Hoje, basicamente, a campanha de um fala do problema do outro. A campanha do outro fala do problema de um", disse.

O deputado avalia que esse ambiente ajuda a explicar a dificuldade de Caiado de romper a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Apesar disso, disse acreditar que ainda há espaço para mudança no quadro eleitoral.

A crise recente no Supremo, na avaliação do coordenador, agravou o cenário. "Essa própria crise do Supremo, acho que ela contaminou de alguma forma as eleições. E ela contaminou no sentido pior possível", afirmou. Para Jardim, os conflitos reforçam a lógica de acusações entre os dois principais polos da disputa e afastam o debate de propostas.

Jardim cobrou dos candidatos respostas para questões que considera centrais para o próximo governo. "Nós temos uma situação de uma grave crise fiscal. Que proposta cada um dos candidatos tem com relação a isso? Que ajustes serão necessários no ano que vem? Quais são as prioridades para o desenvolvimento do Brasil? Eu, sinceramente, não tenho visto."

O deputado afirmou que tem usado as redes sociais para discutir educação, logística, infraestrutura, inovação, agro e energia. Segundo ele, embora os candidatos tenham programas escritos, essas propostas pouco aparecem na campanha. "Os candidatos têm uma coisa escrita, mas isso não está incorporado no discurso deles."

"Debate muito empobrecido"

A crítica de Jardim se estende ao próprio Congresso. O deputado, que decidiu não disputar a reeleição neste ano, disse estar insatisfeito com a dinâmica da atual legislatura.

"Eu não estou feliz com a dinâmica que há hoje no Congresso", afirmou. Para ele, o plenário passou a privilegiar discussões "mais acaloradas e menos substantivas", enquanto as frentes parlamentares ganharam espaço na formulação e no debate de propostas.

"O debate no plenário está muito empobrecido, na minha visão", disse Jardim. O deputado afirmou esperar uma mudança de perfil na próxima legislatura e uma redução do número de candidatos que chamou de "só tiktokers". Na avaliação dele, isso poderia abrir espaço para uma representação mais voltada ao debate de conteúdo e ao fortalecimento do papel do Parlamento.

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