Impulsionado também pelo desempenho de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, o PL saiu das urnas neste domingo (4) como o partido que mais elegeu senadores. A legenda conquistou 19 das 54 cadeiras em disputa — 35,2% do total — e abriu larga vantagem sobre MDB, com sete eleitos, e PT, com seis.
A eleição também produziu uma forte renovação de nomes. Apenas 14 dos 54 vencedores já ocupavam as cadeiras em disputa e conseguiram se reeleger. Outros 18 senadores que tentavam permanecer no cargo foram derrotados. Com isso, 40 vagas, ou 74,1% das cadeiras renovadas neste ano, terão novos titulares a partir de fevereiro de 2027.
A troca foi completa em 15 das 27 unidades da Federação, onde os dois atuais ocupantes serão substituídos. Só Amazonas e Sergipe mantiveram os dois senadores. O resultado combina dois movimentos marcantes: concentração de vagas no PL e ampla mudança na composição do Senado.
PL leva mais de uma em cada três vagas
Das 54 cadeiras em disputa, 19 ficaram com o PL. A legenda conquistou, sozinha, mais vagas do que MDB e PT juntos, que somaram 13.
O desempenho do partido foi especialmente forte em cinco unidades da Federação nas quais fez as duas vagas: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina. Só nesses locais, o PL elegeu dez senadores.
No Distrito Federal, venceram Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. No Rio de Janeiro, Carlos Portinho garantiu novo mandato e dividirá a representação eleita neste ano com Carlos Jordy. Em Santa Catarina, as vagas ficaram com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro.
Reinaldo Azambuja e Capitão Contar foram eleitos em Mato Grosso do Sul, enquanto Dr. Fernando Máximo e Bruno Scheid venceram em Rondônia. O PL também conquistou uma das duas vagas no Acre, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Roraima, São Paulo e Tocantins.
O resultado mostra uma presença geográfica ampla da legenda, com senadores eleitos no Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
MDB e PT vêm em seguida
O MDB ficou com sete das 54 vagas, distribuídas por sete unidades da Federação. Foram eleitos Eduardo Braga, no Amazonas; Helder Barbalho, no Pará; Veneziano Vital do Rêgo, na Paraíba; Marcelo Castro, no Piauí; Teresa Surita, em Roraima; Alessandro Vieira, em Sergipe; e Alexandre Guimarães, no Tocantins.
O PT conquistou seis cadeiras. A Bahia foi o único Estado, além dos cinco em que o PL fez dobradinha, no qual um mesmo partido levou as duas vagas: Rui Costa e Jaques Wagner foram eleitos.
A legenda também venceu com Marília Campos, em Minas Gerais; Humberto Costa, em Pernambuco; Samanda de Lula, no Rio Grande do Norte; e Rogério Carvalho, em Sergipe.
PP, PSB, União Brasil e Novo elegeram três senadores cada. Republicanos, PSDB, Podemos e PSD ficaram com duas cadeiras. Rede e PDT conquistaram uma vaga cada.
PL, MDB e PT, os três partidos com maior número de eleitos, concentraram 32 das 54 cadeiras — 59,3% do total.
Só um em cada quatro consegue se reeleger
Se a disputa partidária teve um vencedor destacado, a permanência dos atuais senadores foi bem mais restrita. Dos 54 senadores em fim de mandato, 32 buscavam a releeição. Apenas 14 tiveram êxito.
Conseguiram renovar o mandato Marcio Bittar (PL-AC), Lucas Barreto (PSD-AP), Eduardo Braga (MDB-AM), Plínio Valério (PSDB-AM), Jaques Wagner (PT-BA), Cid Gomes (PSB-CE), Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), Humberto Costa (PT-PE), Marcelo Castro (MDB-PI), Carlos Portinho (PL-RJ), Styvenson Valentim (Podemos-RN), Rogério Carvalho (PT-SE), Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Gomes (PL-TO).
Outros 18 senadores que disputaram a reeleição não conseguiram renovar o mandato.
Entre os nomes mais conhecidos que não conseguiram renovar o mandato estão Renan Calheiros (MDB-AL), senador desde 1995 e derrotado após mais de três décadas na Casa; Randolfe Rodrigues (PT-AP), que ocupa uma cadeira desde 2011; Esperidião Amin (PP-SC), ex-governador e ex-prefeito de Florianópolis; e Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP. Também ficaram sem novo mandato nomes como Weverton Rocha (PDT-MA), Eliziane Gama (PT-MA), Fabiano Contarato (PT-ES), Marcos do Val (Podemos-ES) e Vanderlan Cardoso (PSD-GO).
Por outro lado, entre os escolhidos neste domingo estão governadores, ex-governadores, deputados federais, ex-senadores e políticos com longa trajetória em cargos públicos.
Arthur Lira (PP), por exemplo, deixa a Câmara para representar Alagoas no Senado. Rui Costa (PT), Renato Casagrande (PSB), Mauro Mendes (União), Helder Barbalho (MDB) e João Azevêdo (PSB) chegam à Casa depois de passagens pelo comando de governos estaduais.
A renovação considerada neste levantamento mede, portanto, a troca dos atuais ocupantes das cadeiras, e não necessariamente a entrada de políticos sem experiência anterior.
Quinze unidades trocam os dois representantes
A substituição atingiu as duas cadeiras em disputa em mais da metade das unidades da Federação.
Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo elegeram dois nomes diferentes daqueles que atualmente ocupam as vagas com mandato até janeiro de 2027.
São 15 unidades da Federação e, portanto, 30 cadeiras com mudança de titular.
Em outros dez Estados, a renovação foi pela metade: um dos atuais senadores conseguiu permanecer, enquanto a segunda cadeira ficou com outro candidato. Isso ocorreu no Acre, Amapá, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins.
As 30 substituições nas unidades que trocaram os dois senadores, somadas às dez ocorridas nos Estados que mantiveram apenas um titular, chegam às 40 cadeiras que mudarão de ocupante.
Amazonas e Sergipe mantêm os dois
Apenas Amazonas e Sergipe passaram pela eleição sem mudança nos nomes das duas cadeiras colocadas em disputa.
No Amazonas, Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB) conquistaram novos mandatos de oito anos.
Em Sergipe, Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB) também foram reeleitos.
Os dois Estados destoaram de uma eleição em que a troca de ocupantes predominou, ainda que muitos dos escolhidos já tenham longa experiência na política.
Dois terços da Casa em disputa
O Senado é formado por 81 integrantes, três de cada unidade da Federação, com mandatos de oito anos. A renovação ocorre de forma alternada: em uma eleição, cada Estado e o Distrito Federal escolhem um senador; quatro anos depois, elegem dois. Em 2026, estavam em disputa 54 vagas, correspondentes a dois terços da Casa. Cada eleitor pôde votar em dois candidatos ao Senado, e os dois mais votados de cada unidade da Federação foram eleitos.
Os outros 27 senadores foram escolhidos em 2022 e têm mandato até 2031. Os 54 vencedores deste domingo tomarão posse em fevereiro de 2027 e permanecerão no cargo até 2035.