O presidente Lula (PT) participou nesta quinta-feira (1º) da cerimônia que formalizou a cessão onerosa do terreno do Centro de Treinamento Rei Pelé ao Santos Futebol Clube. O evento ocorreu em meio ao embate entre o governo federal, clubes e empresas do setor de apostas após a edição da medida provisória que proibiu as bets no Brasil.
Durante a solenidade, integrantes do governo defenderam um modelo de financiamento do futebol menos dependente das casas de apostas. A cerimônia contou com a presença do presidente do Santos, Marcelo Teixeira, de ministros e de nomes históricos do clube, como Pepe, Clodoaldo e Serginho Chulapa. O ministro do STF Gilmar Mendes também participou do evento.
Responsável por conduzir a cerimônia, o advogado-geral da União, Jorge Messias, aproveitou o evento para defender que o futebol brasileiro pode se sustentar sem depender dos recursos provenientes das empresas de apostas. Sem citar diretamente a medida provisória editada pelo governo, o ministro afirmou que a força do esporte está nas pessoas e na formação de atletas.
"O melhor do futebol brasileiro não está no dinheiro, está na sua gente. Eu tenho certeza que quando nós fomos pentacampeões nós não precisávamos de bets. Quando o meu Sport foi campeão em 87 contra o Flamengo da ministra Ester, não tinha bet. Nós temos um modelo de futebol em que valorizar as pessoas, cuidar de gente e preparar a base é a coisa mais importante."
Fim das bets
A decisão do governo provocou reação de clubes e empresas que atuavam no mercado regulamentado de apostas. Parte significativa das equipes da Série A possuía contratos de patrocínio com empresas do setor, inclusive para exposição das marcas nos espaços de maior destaque das camisas.
O Flamengo passou a atuar na discussão judicial sobre a medida. O ministro Luiz Fux autorizou o clube a participar como amicus curiae das ações que tratam da proibição das bets no Supremo. O clube sustenta que mudanças no setor precisam considerar princípios como segurança jurídica e proteção dos contratos já firmados.
Entidades representantes das empresas de apostas também recorreram ao STF. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) solicitaram a suspensão da medida provisória e alegam, entre outros pontos, prejuízos aos investimentos realizados durante o período em que o mercado funcionava sob regulamentação federal.