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Veja as possíveis lideranças do novo Congresso em 2027

Levantamento do Congresso em Foco reúne deputados e senadores que chegam à próxima legislatura com experiência de articulação, peso partidário, influência em bancadas ou capital político próprio.

6/10/2026
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O novo Congresso que toma posse em 1º de fevereiro de 2027 terá entre seus principais centros de influência parlamentares experientes, dirigentes partidários, ex-governadores, ex-ministros, líderes de bancada e nomes fortalecidos pelas urnas.

Levantamento do Congresso em Foco reúne quase 50 deputados e senadores eleitos, reeleitos ou com mandato em curso que podem exercer papel relevante na Câmara e no Senado. A relação não é um ranking. Foram considerados fatores como passagem pelas Mesas Diretoras, experiência em lideranças, comando partidário, articulação de Plenário, influência sobre bancadas temáticas, trajetória no Executivo e capacidade de mobilização política e eleitoral.

O desenho desse poder ainda depende do segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), em 25 de outubro. O resultado definirá também quais forças chegarão ao novo Congresso como governo e quais ocuparão a oposição. Antes mesmo da posse, porém, já começam as articulações para as Mesas, lideranças, blocos e, depois, o comando das principais comissões das duas Casas.

Renovação abre espaço

Na Câmara, 183 dos 513 deputados eleitos exercerão o primeiro mandato, uma renovação de 35,67%.

No Senado, das 54 cadeiras em disputa, 40 serão renovadas e 14 permanecerão com senadores reeleitos. Isso corresponde a 74% das vagas disputadas e a 49,4% de toda a Casa. A entrada de tantos novos parlamentares tende a aumentar o peso de quem já domina o regimento, as comissões e a negociação interna, sobretudo no Senado. Outros 27 senadores seguem em meio de mandato.

Poder vai além dos cargos

Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) são os exemplos mais evidentes de poder institucional. Ambos chegam a 2027 presidindo as respectivas Casas e continuarão no Congresso.

Nenhum anunciou formalmente candidatura à reeleição para o comando, mas ambos aparecem nas articulações para permanecer nos postos. Como se trata do início de uma nova legislatura, podem concorrer a um novo biênio. A nova composição partidária e o resultado da eleição presidencial, porém, podem atrair outros candidatos e embaralhar as disputas.

Motta foi eleito presidente da Câmara em 2025 com 444 dos 499 votos registrados, apoiado por um bloco de 17 partidos.

Lista reúne algumas das prováveis lideranças do novo Congresso a partir de 2027.Arte Congresso em Foco

PL ganha peso nas disputas

O PL elegeu 121 deputados, quase um quarto das 513 cadeiras da Câmara, e terá a maior bancada. No Senado, a projeção para 2027 é de 28 dos 81 integrantes, mais de um terço do Plenário. A composição ainda pode sofrer alterações em razão do segundo turno para os governos estaduais.

Esse tamanho não garante o comando de nenhuma das Casas, mas torna o apoio do partido especialmente relevante para formar maiorias nas eleições das Mesas e negociar os principais postos.

Se Flávio Bolsonaro vencer, o PL passará da oposição à condição de partido do presidente da República. Se Lula for reeleito, seguirá no campo oposicionista. O movimento inverso ocorrerá com PT e aliados. Atuais oposicionistas podem passar à articulação do governo, enquanto nomes hoje governistas podem assumir posições de destaque na oposição.

Senado concentra poderes próprios

A Presidência do Senado tem importância adicional porque a Casa concentra atribuições que não passam pela Câmara. Cabe exclusivamente aos senadores processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade.

Em setembro, Alcolumbre afirmou que havia 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF protocolados na Casa. Nenhum avançou até agora.

As CPIs também entram nessa disputa. Uma comissão de inquérito no Senado exige requerimento de ao menos 27 senadores, um terço da Casa. Cumpridos os requisitos, o pedido é lido e publicado, e as lideranças indicam seus integrantes.

Por isso, o comando do Senado pesa não apenas sobre a pauta legislativa, mas também sobre a relação da Casa com o STF, o Executivo e a agenda de investigações parlamentares.

Partidos, bancadas e Plenário

Outra fonte de poder está no comando partidário e na capacidade de organizar votos. A lista inclui presidentes nacionais de legendas, dirigentes de grandes bancadas e parlamentares experientes nas negociações de Plenário.

Antonio Brito (BA) lidera hoje o PSD, Isnaldo Bulhões (AL) comanda a bancada do MDB e Cabo Gilberto Silva (PL-PB) ocupa a liderança da oposição. Esses postos serão novamente distribuídos em 2027, mas a experiência acumulada ajuda a explicar a inclusão dos três.

Na Câmara, o estreante Antônio Rueda (União-RJ) chega também como presidente nacional do União Brasil. Outros dirigentes partidários terão mandato na Casa, entre eles Edinho Silva (PT-SP), Baleia Rossi (MDB-SP), Renata Abreu (Podemos-SP) e Luiz Tibé (Avante-MG).

A relação inclui ainda articuladores com histórico em grandes votações e na negociação de matérias econômicas e institucionais, mesmo sem comando formal de bancada. Entre eles está o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), eleito para retornar à Casa depois de mais de uma década sem mandato.

Bancadas temáticas e capital próprio

Parte da influência parlamentar ocorre fora das estruturas partidárias. Frentes e bancadas temáticas reúnem congressistas de diferentes legendas em torno de agendas como agronegócio, segurança pública, religião, economia e direitos civis.

É nesse campo que aparece, por exemplo, Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária. Radar do Congresso

Há ainda parlamentares cujo peso decorre da capacidade de mobilização pública. Nikolas Ferreira (PL-MG), Erika Hilton (Psol-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP) têm projeção que ultrapassa suas próprias bancadas e presença expressiva nas redes sociais. Nesse caso, influência não significa necessariamente controlar votos no Plenário, mas mobilizar apoiadores, pressionar partidos e pautar o debate.

Aos 30 anos, Nikolas tornou-se nesta eleição o deputado federal mais votado da história, com 3.119.314 votos, superando o recorde anterior de Eduardo Bolsonaro em 2018.

Senado combina veteranos e novos pesos

A forte renovação torna especialmente relevantes senadores que já dominam o funcionamento da Casa, como Eduardo Braga (MDB-AM), Eduardo Gomes (PL-TO), Humberto Costa (PT-PE), Jaques Wagner (PT-BA), Otto Alencar (PSD-BA), Rogério Carvalho (PT-SE), Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

Ao lado deles, chegam políticos com experiência acumulada em outros centros de poder. Arthur Lira (PP-AL) desembarca no Senado depois de ter presidido a Câmara. Helder Barbalho (MDB-PA), Rui Costa (PT-BA), Renan Filho (MDB-AL) e Camilo Santana (PT-CE) chegam ou permanecem na Casa com passagens por governos estaduais, ministérios ou pelos dois.

Michelle Bolsonaro (PL-DF) representa outro tipo de influência. Eleita para seu primeiro mandato, chega sem experiência parlamentar, mas com projeção nacional construída como primeira-dama entre 2019 e 2022 e como uma das figuras mais conhecidas do PL. Antes disso, trabalhou como secretária parlamentar na Câmara. Como primeira-dama, presidiu o conselho do Pátria Voluntária e ganhou visibilidade em pautas de inclusão da comunidade surda e valorização da Libras.

Sua eleição amplia seu peso dentro do partido e do campo bolsonarista. Michelle chega ao Senado com capacidade própria de mobilização e ligação direta com Jair Bolsonaro — um capital político diferente daquele acumulado por veteranos da Casa, como Braga, Wagner ou Alcolumbre.

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