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PF prende deputado estadual eleito e ex-chefe da Polícia Civil do RJ

Aliado de Flávio Bolsonaro, Márcio Canella foi preso por ordem de Alexandre de Moraes em investigação sobre lavagem de dinheiro. Ele já havia sido detido em julho após a PF encontrar um fuzil em seu carro.

15/10/2026
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A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual eleito Márcio Canella (União), segundo mais votado do Rio de Janeiro, e o delegado Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil fluminense. As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis e agentes públicos.

Presidente do União Brasil no Rio e ex-prefeito de Belford Roxo, Canella recebeu 197.178 votos nas eleições de 4 de outubro. Ele foi preso em casa, na Barra da Tijuca.

Márcio Canella já havia sido preso com fuzil no carro este ano.Prefeitura de Belford Roxo

Segundo a PF, o grupo investigado teria utilizado uma rede de postos de combustíveis para lavar recursos ilícitos, com participação de agentes públicos e articulação política. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações de R$ 7,6 bilhões em seis anos.

Além de Canella e Amim, quatro inspetores da Polícia Civil foram presos. A operação incluiu 16 mandados de busca e apreensão. Moraes também determinou o bloqueio de bens e a suspensão das atividades de 112 empresas investigadas, a maioria postos de combustíveis. Entre os crimes apurados estão organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção e formação de cartel.

Prisão anterior e ligações políticas

Canella e Amim já haviam sido alvos de buscas em julho, na sexta fase da operação. Na ocasião, o ex-prefeito foi preso em flagrante após a PF encontrar um fuzil em seu carro. Ele alegou que a arma pertencia a um segurança e acabou solto.

Apesar das investigações, Canella conquistou seu quarto mandato na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A Procuradoria Regional Eleitoral chegou a pedir o indeferimento de sua candidatura, mas a Justiça Eleitoral permitiu que disputasse a eleição.

Aliado do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), Canella também foi investigado anteriormente por suspeitas de ligações com milícias e nomeação de pessoas associadas a esses grupos para cargos públicos. Ele nega envolvimento com organizações criminosas.

Canella e Amim têm vínculos políticos anteriores à operação. O ex-prefeito concedeu ao delegado a Medalha Tiradentes, principal honraria da Alerj. Amim comandou a Polícia Civil no governo de Cláudio Castro (PL).

A investigação também alcançou o empresário Fernando Trabach Gomes, dono de postos que abasteceram veículos da campanha à reeleição de Castro, em 2022. A operação integra as apurações sobre relações entre agentes públicos e organizações criminosas determinadas pelo STF no julgamento da ADPF das Favelas.

A defesa de Canella informou que não se manifestará antes de ter acesso aos autos.

Prisão a dez dias da eleição

Embora tenham ocorrido a dez dias do segundo turno, as prisões não contrariam o Código Eleitoral. A proteção contra prisões em vigor desde 10 de outubro alcança os candidatos que ainda disputam a eleição, salvo flagrante delito.

Como Canella já foi eleito no primeiro turno, não está abrangido por essa proteção. Para os demais eleitores, a restrição começa em 20 de outubro, cinco dias antes da votação, com exceções previstas em lei.

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