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Operação Unha e Carne

PF investiga lavagem de R$ 7 bilhões; Canella e Marcus Amim são alvos

Investigação teve origem em relatório do Coaf e cumpre medidas de busca, sequestro de bens e suspensão de empresas.

Congresso em Foco

7/7/2026 10:20

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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (7) a sexta fase da Operação Unha e Carne para desarticular uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma para lavagem de dinheiro.

Segundo a corporação, o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A investigação também apura a participação de agentes públicos no esquema.

Ao todo, policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. Também foram determinadas medidas de sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados.

Segundo a Polícia Federal, além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros delitos que venham a ser identificados no decorrer das investigações.

Canella e Amim são investigados em operação que apura lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.

Canella e Amim são investigados em operação que apura lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.Montagem Congresso em Foco | Reprodução: Alerj / Facebook

Quem são os alvos

Entre os alvos estão o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Outros policiais civis da ativa também são investigados. Até a publicação desta reportagem, os citados não haviam se manifestado.

Canella iniciou a carreira política como vereador de Belford Roxo em 2012. Depois, exerceu três mandatos como deputado estadual, foi vice-prefeito do município entre 2017 e 2019 e foi eleito prefeito em 2024. Em abril deste ano, renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado.

Marcus Amim comandou a Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Em 2018, quando Canella era deputado estadual, propôs a concessão da Medalha Tiradentes, principal honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ao delegado.

Esquema de lavagem de dinheiro

As investigações tiveram início após o envio de um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf à Polícia Federal.

O documento apontou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões entre empresas e pessoas físicas ligadas ao grupo ao longo dos últimos seis anos.

Segundo a PF, a organização utilizava uma rede de postos de combustíveis para dar aparência de legalidade a recursos de origem ilícita.

A ação desta terça-feira integra a Força-Tarefa Missão Redentor II e ocorre em cumprimento às diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas.

Entre as medidas definidas no julgamento, o STF determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre possíveis relações entre agentes públicos e organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro.

Freixo associa investigados a Flávio Bolsonaro

A operação repercutiu nas redes sociais.

Em publicação no X, o pré-candidato a deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ) associou politicamente Márcio Canella e Marcus Amim ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

"Sabe de quem eles são aliados no RJ? Acertou quem respondeu Flávio Bolsonaro."

Marcelo Freixo comentou a nova fase da Operação Unha e Carne e afirmou que os investigados mantêm aliança política com o senador Flávio Bolsonaro.

Marcelo Freixo comentou a nova fase da Operação Unha e Carne e afirmou que os investigados mantêm aliança política com o senador Flávio Bolsonaro.Reprodução / X

Operação chega à sexta fase

A Operação Unha e Carne foi deflagrada em dezembro de 2025 para investigar o vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra o Comando Vermelho.

Com o avanço das apurações, a PF ampliou o foco para suspeitas de corrupção, fraudes em contratos públicos, lavagem de dinheiro e vínculos entre crime organizado, empresários e agentes públicos.

Na quinta fase, realizada na última quinta-feira (2), a PF prendeu o pastor e empresário Márcio Poncio, investigado por suspeita de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro associado à chamada Máfia do Cigarro.

Também foram cumpridos mandados de prisão contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil), que já estavam presos.

A mesma etapa incluiu buscas contra o empresário Fernando Trabach Gomes, dono de uma rede de postos de combustíveis.

Segundo a prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral, postos ligados a Trabach abasteceram a maior parte da frota usada na campanha à reeleição de Cláudio Castro (PL), em 2022.

A sexta fase mira justamente o suposto uso dessa rede para ocultar e movimentar recursos ilícitos.

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