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Congresso sob Investigação
Congresso em Foco
3/7/2026 15:06
Em apenas seis meses, emendas parlamentares, Banco Master, descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), contratos públicos, venda de decisões judiciais e até o jogo do bicho estiveram no centro de operações deflagradas pela Polícia Federal.
Embora tratem de fatos distintos, essas investigações deram origem ao levantamento realizado pelo Congresso em Foco, que mapeou os parlamentares, ex-parlamentares e ex-governadores alcançados pelas principais operações da corporação no primeiro semestre de 2026.
Entre 1º de janeiro e 3 de julho, a Polícia Federal teve 15 parlamentares e ex-parlamentares, além de ex-governadores, entre os alvos de suas operações. Os investigados pertencem ou pertenceram a nove partidos - Avante, MDB, PDT, PL, PP, PSDB, PT, Solidariedade e União Brasil - e exerceram ou exercem mandatos no Congresso Nacional, em assembleias legislativas e no comando de governos estaduais.
As apurações envolvem suspeitas de corrupção, fraude em licitações, desvio de emendas parlamentares, lavagem de dinheiro, crimes financeiros, irregularidades no INSS e possíveis conexões entre agentes públicos e organizações criminosas.
Confira, abaixo, quem são os parlamentares, ex-parlamentares e ex-governadores alcançados por operações da Polícia Federal no primeiro semestre de 2026.
Emendas concentram o maior número de operações
As operações relacionadas à aplicação de recursos provenientes de emendas parlamentares formam o grupo mais numeroso do levantamento.
Overclean, Graco, Vassalos e Afluente investigam suspeitas de direcionamento de licitações, utilização de empresas de fachada, superfaturamento de contratos, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo verbas públicas destinadas por parlamentares.
A concentração desses casos acompanha o aumento da fiscalização sobre a execução das emendas parlamentares por órgãos como o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria-Geral da União (CGU) e a própria Polícia Federal.
Banco Master inaugura uma frente de grande repercussão
Entre as operações do período, a Compliance Zero se destaca por colocar o Banco Master no centro de uma investigação sobre possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência, ampliando o alcance das apurações para além da esfera política tradicional.
Segundo a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer se agentes públicos atuaram para favorecer interesses ligados à instituição financeira em troca de vantagens indevidas, além de rastrear a atuação de intermediários e operadores financeiros que teriam participado do esquema.
A apuração também procura identificar eventuais conexões entre decisões administrativas e benefícios concedidos ao banco, bem como mapear o fluxo de recursos suspeitos e a possível participação de outros agentes públicos e privados.
Rio de Janeiro reúne o maior número de alvos
O Rio de Janeiro é o estado com maior número de ocupantes e ex-ocupantes de cargos eletivos alcançados pelas operações identificadas no levantamento.
Além da Compliance Zero, o estado concentra a Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro atribuídas à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis conexões entre integrantes da contravenção e agentes públicos.
Também foram deflagradas no estado a Operação Castratio, sobre contratos da Secretaria Estadual de Agricultura, e a Operação Sem Refino, que apura suspeitas de favorecimento ao Grupo Refit.
Embora tenham objetos distintos, essas operações fizeram do Rio o principal foco das investigações envolvendo agentes políticos no primeiro semestre.
INSS e Judiciário também aparecem entre os focos
Nem todas as operações tiveram origem na fiscalização de recursos públicos ou contratos administrativos.
A Operação Sem Desconto investiga um esquema bilionário de descontos associativos supostamente realizados sem autorização em aposentadorias e pensões do INSS.
Já a Operação Gemini apura suspeitas de venda de decisões judiciais, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo magistrados, advogados e operadores financeiros.
Os dois casos mostram que, além das investigações sobre corrupção e emendas parlamentares, a Polícia Federal também direcionou esforços para apurações envolvendo a Previdência Social e o sistema de Justiça.
O que investiga cada operação
Overclean - Apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares por meio de empresas de fachada, contratos fraudulentos e operadores financeiros.
Graco - Investiga possível desvio de verbas federais destinadas ao Acre por meio de emendas parlamentares, com suspeitas de direcionamento de contratos.
Vassalos - Apura fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo recursos oriundos de emendas parlamentares.
Sem Desconto - Investiga descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS em um esquema bilionário apurado pela PF e pela CGU.
Unha e Carne - Investiga suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis conexões entre integrantes da contravenção e agentes públicos.
Compliance Zero - Apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência envolvendo interesses ligados ao Banco Master.
Castratio - Investiga supostas fraudes em contratos para programas de castração e esterilização de animais firmados pela Secretaria Estadual de Agricultura do Rio de Janeiro.
Sem Refino - Apura suspeitas de favorecimento ao Grupo Refit, além de possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades fiscais.
Gemini - Investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais envolvendo magistrados, advogados e operadores financeiros.
Afluente - Apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar empresas para desviar recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas a municípios.
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