O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou um plano para libertar antecipadamente até 50% dos detidos durante a ofensiva contra as gangues criminosas no país, iniciada em 2022. A proposta prevê a concessão de liberdade condicional a presos acusados de colaborar com organizações criminosas, mas que não fizeram parte do núcleo central.
Bukele é uma das principais referências do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na defesa do endurecimento da política penal brasileira, tendo sido também citado por outros candidatos no primeiro turno, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
O chefe de governo salvadorenho pretende avaliar individualmente a participação dos detentos nas atividades das facções, diferenciando integrantes diretamente envolvidos em crimes graves daqueles que desempenhavam funções secundárias. Os beneficiários permaneceriam sob monitoramento das autoridades, sem receber absolvição pelos delitos atribuídos a eles.
Bukele justificou a possibilidade de libertação pelas condições enfrentadas pela população durante o período de domínio territorial das gangues. "Não é a mesma coisa fazer parte dos que impunham esse domínio à população e simplesmente sobreviver nessa realidade", declarou o presidente.
Apesar da possibilidade de redução da população carcerária, Bukele descartou revogar imediatamente o estado de emergência instituído em 2022. O presidente comparou a política de repressão às gangues a um tratamento de quimioterapia e argumentou que a continuidade das restrições é necessária para impedir a recuperação das organizações criminosas.
Política penal de Bukele
Desde 2022, El Salvador mantém em vigor um estado de emergência, oficialmente denominado como estado de exceção, que ampliou os poderes das forças de segurança para efetuar prisões e restringiu garantias processuais dos acusados. A política foi adotada após uma escalada de assassinatos atribuídos às gangues MS-13 e Barrio 18, organizações que controlavam territórios e atividades econômicas em diferentes regiões do país.
A estratégia de Bukele combina operações policiais e militares, encarceramento em massa e expansão da infraestrutura penitenciária. Seu principal símbolo é o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), complexo de segurança máxima com capacidade para 40 mil presos.
O governo salvadorenho alega que o regime proporcionou melhora nos índices de segurança pública no país. Por outro lado, o modelo é recorrentemente alvo de denúncias por organizações de defesa dos direitos humanos, com relatos em larga escala de torturas, prisões arbitrárias e mortes violentas de detentos.
Referência política
O modelo salvadorenho ganhou espaço no discurso eleitoral de Flávio Bolsonaro, que visitou El Salvador em novembro de 2025. Em seu plano de governo, o senador defende a ampliação do encarceramento como estratégia de combate ao crime organizado, com meta de construção de cinco presídios federais inspirados no Cecot, além de políticas de endurecimento de penas e redução da maioridade penal.
Em agosto deste ano, Flávio se reuniu com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, e voltou a elogiar os resultados atribuídos ao governo Bukele. Na ocasião, defendeu o aumento das prisões no Brasil e reiterou a experiência salvadorenha como modelo para uma futura gestão.
Além de Flávio, outras lideranças de direita, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Tarcísio de Freitas expressaram apoio em diversas ocasiões à estratégia de Bukele.