Notícias

Com derrota, Flávio fica sem mandato e foro privilegiado após 24 anos

Após quatro mandatos como deputado estadual e um como senador, Flávio deixará o Congresso em fevereiro de 2027, em meio a investigações no STF.

26/10/2026
Publicidade
Expandir publicidade

A derrota para Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial encerrará uma sequência de 24 anos de mandatos de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O senador deixará o Congresso em 31 de janeiro de 2027, depois de quatro mandatos como deputado estadual e um no Senado. Sem cargo eletivo, perderá o foro por prerrogativa de função decorrente do mandato parlamentar, em meio a investigações no STF.

Flávio recebeu 59.826.041 votos (48,21% dos válidos), contra 64.256.232 (51,79%) de Lula. A diferença foi de 4,4 milhões de votos. No primeiro turno, o senador havia terminado à frente do petista, com 47,03%, contra 45,16%. Ao optar pela candidatura presidencial, Flávio deixou de disputar a reeleição ao Senado. A derrota o deixará pela primeira vez desde fevereiro de 2003 sem mandato eletivo.

Após TSE declarar reeleição de Lula, Flávio fez pronunciamento com aliados dizendo que vai pedir a anulação do segundo turno e que não reconhece vitória do petista.Gabriela Biló/Folhapress

Quando era deputado estadual, Flávio Bolsonaro teve foro por prerrogativa de função no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Como senador, passou a ter foro no STF

Investigações no Supremo

Flávio é alvo de dois inquéritos identificados na consulta pública do STF e aparece em uma terceira investigação, envolvendo o advogado Willer Tomaz, encaminhada ao tribunal sob sigilo.

Uma das apurações investiga possíveis irregularidades no financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal examina repasses atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, destinados à produção cinematográfica.

Flávio reconheceu ter procurado o banqueiro em busca de investimentos para o filme, mas negou ter oferecido vantagens indevidas. O inquérito está sob relatoria do ministro André Mendonça.

Outra investigação envolve as relações financeiras entre Flávio e o advogado e empresário Willer Tomaz. A Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro associadas a empresas de apostas e pagamentos digitais.

O procedimento foi encaminhado ao Supremo em outubro e distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Flávio afirma manter apenas uma relação de amizade com Willer e nega irregularidades.

O terceiro caso, também relatado por Moraes, apura possível calúnia contra Lula. A investigação decorre de uma publicação de Flávio na rede social X, em janeiro de 2026, na qual associou o presidente a supostos crimes após a captura de Nicolás Maduro, na Venezuela. Em junho, a Polícia Federal concluiu haver elementos para atribuir a Flávio o crime de calúnia.

Perda do foro não significa saída automática do STF

O encerramento do mandato de senador não determina que todos os procedimentos envolvendo Flávio sejam transferidos à primeira instância.

Em março de 2025, o Supremo decidiu que investigações e ações penais relacionadas a crimes supostamente cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções parlamentares podem permanecer no tribunal mesmo depois do fim do mandato. Assim, a definição sobre a competência de cada investigação dependerá da natureza dos fatos examinados e de sua relação com a atividade parlamentar. Caberá aos ministros decidirem se a investigação será remetida a outra instância da Justiça.

Da Assembleia do Rio à disputa presidencial

Filho mais velho de Jair Bolsonaro, Flávio iniciou sua trajetória eleitoral em 2002, quando foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro, aos 21 anos. Tomou posse em fevereiro de 2003 e foi reeleito em 2006, 2010 e 2014.

Em 2016, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro, mas terminou em quarto lugar. Dois anos depois, foi eleito senador com aproximadamente 4,38 milhões de votos, na mesma eleição em que seu pai conquistou a Presidência da República.

Sua trajetória também foi marcada pelo caso das chamadas rachadinhas, investigação sobre suspeitas de recolhimento de parte dos salários de funcionários de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio. A denúncia foi rejeitada pela Justiça em 2022, após a anulação de provas por tribunais superiores. Flávio sempre negou irregularidades.

Processos no STF:

Inquérito 5.070 — caso Dark Horse/Banco Master.

Inquérito 5.045 — possível calúnia contra Lula.

Investigação envolvendo Willer Tomaz — número de autuação não confirmado na consulta pública.

Entre no canal de WhatsApp do Congresso em Foco
Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos