Flávio Bolsonaro (PL) alterou a forma como se apresenta na abertura do pronunciamento divulgado após sua ida aos Estados Unidos. Na versão anterior da carta, o ex-candidato dizia se dirigir "ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Na nova versão, a expressão foi substituída por "como o líder do Brasil".
A mudança retira justamente uma das afirmações mais fortes do documento original: a reivindicação direta de que Flávio seria o verdadeiro vencedor da eleição presidencial. Apesar da alteração, ele mantém a tentativa de se apresentar como uma liderança política nacional. A nova redação diz: "Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil."
No restante da carta anteriormente divulgada, Flávio contestava o resultado da eleição, fazia acusações de fraude e afirmava que continuaria exercendo liderança política mesmo nos Estados Unidos. Ele também anunciava que comandaria a oposição do exterior.
A substituição de "verdadeiro presidente eleito" por "líder do Brasil", portanto, muda o peso institucional da apresentação, mas preserva a mensagem política de que pretende assumir protagonismo entre seus apoiadores.
Entenda
A divulgação da carta ocorre em meio à crise aberta após o segundo turno da eleição presidencial. Depois da derrota para Lula, Flávio passou a contestar o resultado do pleito e a levantar suspeitas sobre a condução da votação. Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio e impôs restrições para impedir que ele deixasse o país.
A defesa ainda mantinha contato com o senador naquele dia e a expectativa era de que os documentos fossem entregues, mas, posteriormente, Flávio deixou de ser localizado por seus advogados e aliados. A Polícia Federal cancelou os passaportes brasileiros e incluiu um alerta migratório relacionado à ordem judicial. A corporação informou ainda que não havia registro oficial da saída de Flávio pelos postos brasileiros de controle migratório.
As primeiras informações sobre o paradeiro de Flávio apontaram para uma possível passagem pela Argentina, mas autoridades argentinas disseram não ter localizado registro de entrada no país. Posteriormente, aliados confirmaram que ele estava nos Estados Unidos e imagens da chegada ao país foram divulgadas. A própria carta divulgada por Flávio encerrou parte do mistério ao confirmar que ele levou a família para território americano e que todos estavam "em segurança".