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Parlamentares democratas questionam Marco Rubio sobre visto de Flávio

Em carta, deputados fazem 15 perguntas sobre suposta ajuda ao senador brasileiro com visto, documentação, logística ou entrada no país.

30/10/2026
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Um grupo de deputados democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, cobrando explicações sobre uma eventual participação do governo americano na viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.

No documento, datado de 29 de outubro, os congressistas questionam se o Departamento de Estado, a Embaixada dos EUA no Brasil ou outros órgãos americanos ajudaram o senador brasileiro com visto, documentação, logística ou entrada no país após uma ordem do STF que, segundo a carta, restringia sua saída do Brasil.

Leia a íntegra (em inglês)

Deputados democratas questionam Marco Rubio sobre visto de Flávio.Reprodução

A correspondência é assinada nominalmente por Sydney Kamlager-Dove, Dina Titus, Greg Casar, Glenn F. Ivey, Jasmine Crockett e Jonathan L. Jackson. Eles pedem que o Departamento de Estado apresente respostas por escrito até a próxima terça-feira (3) e também coloque autoridades à disposição para prestar esclarecimentos ao Congresso americano.

A pergunta central apresentada pelos parlamentares é direta: o governo dos Estados Unidos ajudou Flávio Bolsonaro a viajar ou entrar no país apesar da restrição judicial brasileira? Os deputados não afirmam na carta que essa ajuda efetivamente ocorreu. O documento cobra justamente esclarecimentos para determinar se houve participação de autoridades americanas.

Entenda

Depois da derrota para Lula, Flávio passou a contestar o resultado do pleito e a levantar suspeitas sobre a condução da votação. Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio e impôs restrições para impedir que ele deixasse o país.

A defesa ainda mantinha contato com o senador naquele dia e a expectativa era de que os documentos fossem entregues, mas, posteriormente, Flávio deixou de ser localizado por seus advogados e aliados. A Polícia Federal cancelou os passaportes brasileiros e incluiu um alerta migratório relacionado à ordem judicial. A corporação informou ainda que não havia registro oficial da saída de Flávio pelos postos brasileiros de controle migratório.

As primeiras informações sobre o paradeiro de Flávio apontaram para uma possível passagem pela Argentina, mas autoridades argentinas disseram não ter localizado registro de entrada no país. Posteriormente, aliados confirmaram que ele estava nos Estados Unidos e imagens da chegada ao país foram divulgadas. A própria carta divulgada por Flávio encerrou parte do mistério ao confirmar que ele levou a família para território americano e que todos estavam "em segurança".

Íntegra

Leia à versão traduzida da carta:

"Prezado secretário Rubio,
Escrevemos para solicitar uma prestação de contas imediata sobre o papel do Departamento de Estado, caso tenha havido algum, na facilitação da suposta saída do senador brasileiro Flávio Bolsonaro do Brasil e de sua entrada nos Estados Unidos após uma ordem da Suprema Corte brasileira que restringia suas viagens internacionais. Segundo reportagem publicada em 27 de outubro de 2026, o senador Bolsonaro teria deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos após perder a eleição presidencial brasileira e não cumprir uma ordem judicial que determinava a entrega de seus passaportes. A ordem mencionada teria sido emitida no âmbito de uma investigação criminal envolvendo o senador por suposta lavagem de dinheiro e outras irregularidades financeiras relacionadas. Em preocupação particular, uma reportagem indica que uma autoridade de alto escalão do Departamento de Estado declarou que os Estados Unidos concederiam vistos ao senador Bolsonaro e a integrantes de sua família e permitiriam que eles entrassem no país. Outras reportagens levantaram questionamentos sobre se autoridades dos Estados Unidos tinham conhecimento ou participaram dos preparativos para sua saída.
Esses acontecimentos levantam questões significativas sobre o processo de tomada de decisão do Departamento, seu conhecimento sobre a ordem da Justiça brasileira e se algum integrante do governo dos Estados Unidos prestou assistência antes ou depois da emissão dessa ordem. A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país apesar da restrição judicial brasileira mencionada sobre sua saída? Caso essa assistência tenha ocorrido, o Congresso precisa entender o que foi fornecido, quem autorizou, quando ocorreu e quais informações estavam disponíveis para as autoridades americanas naquele momento. Diante disso, solicitamos respostas por escrito às seguintes perguntas:
Quando o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília ou qualquer outra missão diplomática americana soube, pela primeira vez, que o Supremo Tribunal Federal havia determinado que o senador Bolsonaro entregasse seus passaportes e restringido sua possibilidade de deixar o Brasil?
Alguma autoridade do governo dos Estados Unidos recebeu, analisou ou discutiu uma cópia da decisão judicial antes de o senador Bolsonaro supostamente deixar o Brasil?
Antes de autorizar ou facilitar qualquer visto ou providência relacionada à viagem, o Departamento de Estado verificou se o senador Bolsonaro estava legalmente autorizado a deixar o Brasil?
O Departamento de Estado tinha conhecimento de que o senador Bolsonaro supostamente não havia cumprido o prazo estabelecido pela Justiça para entregar seus passaportes? Em caso afirmativo, quando o Departamento tomou conhecimento desse descumprimento e quais medidas, se alguma, foram adotadas?
O Departamento de Estado emitiu, aprovou, acelerou, renovou ou, de qualquer outra forma, facilitou a concessão de visto para o senador Bolsonaro ou qualquer integrante de sua família durante este período eleitoral?
Uma autoridade de alto escalão do Departamento de Estado teria sido citada dizendo que o Departamento concederia vistos ao senador Bolsonaro e à sua família e permitiria que eles entrassem nos Estados Unidos. Quem autorizou essa decisão?
Os vistos foram aprovados ou outras providências migratórias foram tomadas antes de o Departamento de Estado tomar conhecimento da decisão da Justiça brasileira? Em caso afirmativo, o Departamento reconsiderou, suspendeu ou revisou essas providências depois de tomar conhecimento da decisão?
Algum funcionário do Departamento de Estado, autoridade da Embaixada dos Estados Unidos, integrante da Casa Branca ou outro representante do governo americano se comunicou, direta ou indiretamente, com o senador Bolsonaro, seus familiares, advogados, assessores políticos ou intermediários a respeito da viagem aos Estados Unidos?
Alguma autoridade do governo dos Estados Unidos prestou assistência relacionada a voos, documentação de viagem, transporte, acesso a aeroportos, agendamentos consulares, planejamento da entrada no país ou outras providências logísticas ligadas à suposta saída ou chegada do senador Bolsonaro?
O Departamento de Estado coordenou com o Departamento de Segurança Interna, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, o Serviço de Cidadania e Imigração ou qualquer outra agência federal ações relacionadas à chegada prevista do senador Bolsonaro? Em caso afirmativo, descreva a natureza e o momento dessa coordenação.
O Departamento de Estado consultou o Departamento de Justiça ou qualquer outra agência federal sobre as implicações de facilitar a entrada de uma figura política estrangeira que supostamente deixou seu país em violação a uma ordem judicial?
O Departamento de Estado considerou as possíveis consequências diplomáticas para as relações entre Estados Unidos e Brasil, incluindo a possibilidade de que uma assistência ao senador Bolsonaro pudesse ser interpretada como interferência nos processos judiciais ou nos assuntos políticos internos do Brasil?
O Departamento de Estado recebeu algum pedido das autoridades brasileiras relacionado à localização do senador Bolsonaro, à situação de sua viagem ou à sua possível entrada nos Estados Unidos? Em caso afirmativo, como o Departamento respondeu?
Qual foi a base legal para a emissão ou aprovação de vistos para o senador Bolsonaro e sua família? Quais categorias de visto e critérios de elegibilidade foram considerados e o Departamento avaliou as investigações criminais em andamento envolvendo o senador Bolsonaro ao tomar essa decisão?
Alguma autoridade do governo dos Estados Unidos localizada na Argentina ou no Equador coordenou com o senador Bolsonaro aspectos relacionados ao seu itinerário de viagem?
Diante das importantes questões levantadas por essas reportagens, solicitamos uma resposta por escrito às perguntas acima até 3 de novembro de 2026. Também solicitamos que o Departamento disponibilize as autoridades competentes para uma reunião de esclarecimento com a equipe do Congresso dentro desse mesmo período.
O povo americano e o Congresso têm um legítimo interesse de fiscalização em compreender se recursos diplomáticos e migratórios dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias. A transparência é particularmente importante quando os acontecimentos relatados envolvem um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e a aplicação consistente das políticas migratórias e diplomáticas dos Estados Unidos.
Aguardamos sua resposta rápida e completa."
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