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*Lisiane Mehl Rocha
Um dos assuntos mais comentados nas últimas semanas foi a ação promovida pelo Magazine Luiza, que no último dia 18 abriu processo de seleção para o seu programa “trainee” 2021, visando contemplar exclusivamente jovens negros, sem os pré-requisitos de conhecimento de inglês e experiência profissional anterior.
> Olhares Negros – Uma experiência possível e necessária
De acordo com o CEO Frederico Trajano, a iniciativa deu-se após verificarem que apenas 16% dos representantes de liderança dentro da empresa são negros, embora possuam mais de 40 mil funcionários. Como toda atitude arrojada e pioneira, foi amplamente criticada, alguns afirmando que seria marketing de inclusão e outros falando em prática de “racismo reverso”, pois ao privilegiar candidatos negros a empresa estaria discriminando os brancos.
Não bastou muito para que o assunto chegasse ao Ministério Público do Trabalho (MPT) por meio de denúncias feitas por pessoas que alegavam ter sido impedidas de participar do processo seletivo em razão do tom de pele. Após análise, o MPT entendeu que não houve violação trabalhista, mas sim se tratou de ação afirmativa de reparação histórica.
De acordo com a procuradora Adriane Reis de Araújo, coordenadora nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho, a ação foi legítima e “o que os empregadores não podem fazer é criar seleções em que haja reserva de vagas ou preferência a candidatos que não integram grupos historicamente vulneráveis”. Portanto, a empresa agiu dentro da legalidade.