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O presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada [fotografo]Marcello Casal Jr./Agência Brasil[/fotografo]
Irlã Andrade Gomes*
Com pouco mais de um ano e seis meses, o governo Bolsonaro acumula uma sucessão de problemas. Eleito com a promessa de, dentre outras, combater a imoralidade e resgatar a boa imagem do Brasil, as posturas do mandatário e os fatos ligados à sua gestão estão em rotas de colisão com o que foi prometido em campanha e ainda põem a democracia em risco.
Em 2018, durante a gestão do presidente Michel Temer, ganhou musculatura o clamor de uma parcela expressiva de brasileiros em favor da eleição de Bolsonaro. À época, o pré-candidato alinhou o seu discurso às demandas reivindicadas nos protestos de rua que imploravam pela moralidade na política, fim da corrupção, defesa da democracia, entre outras pautas cruciais. Com a vitória no pleito eleitoral, a população e o mercado nutriram a esperança de que o novo presidente atenderia a essas reivindicações e inauguraria um período político pautado na boa conduta governamental e no respeito às instituições democráticas.
Todavia, até o momento, as posturas assumidas pelo chefe do executivo estão longe desses compromissos. Vários fatos exemplificam isso. Vejamos alguns. Em abril, diversos órgãos noticiosos denunciaram que o mandatário teve estranhamente a intenção de trocar o diretor-geral da Polícia Federal pelo diretor-geral da Abin, contrariando a PF. No mesmo mês, a organização “Repórteres Sem Fronteiras” apontou que o presidente da República desferiu 32 ataques verbais ou ofensas à imprensa nos três primeiros meses de 2020. Segundo dados publicados pelo site O Globo, o governo federal distribuiu vários cargos aos partidos do “Centrão”, reforçando a velha política do “toma lá dá cá”, prática que Bolsonaro prometeu abolir em sua gestão. Em julho, o Facebook informou que excluiu 73 contas falsas e 14 páginas que seriam ligadas a assessores do presidente Bolsonaro e de seus filhos, as quais espalhavam fake news e atacavam o STF e opositores.