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Preparativos para o desfile de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios [fotografo] Marcelo Camargo/ Agência Brasil[/fotografo]
Rogério da Veiga*
A diversidade e a complexidade da realidade brasileira exigem políticas públicas efetivas, implementadas por servidores com sólida formação em gestão pública e nos temas em que se especializam. Cabe ao bom governante selecionar profissionais que aliem capacidade técnica e política para entregar serviços públicos de qualidade à população.
> As últimas notícias da pandemia de covid-19
Na atual gestão, tem chamado atenção a nomeação de militares para cargos nas mais diversas áreas do governo federal. Levantamentos feitos pela imprensa apontam que há entre 2.500 e 3 mil militares ocupando cargos civis de alto, médio e baixo escalão. No Ministério da Saúde, por exemplo, militares sem experiência prévia em políticas de saúde têm substituído servidores de carreira com longa atuação no Sistema Único de Saúde, requisito fundamental para lidar com a pandemia de covid-19.
Nove das 23 pastas ministeriais são comandadas por militares – nem Médici, Geisel, Figueiredo ou Costa Silva tiveram maior proporção. Como comparação, a Venezuela tem hoje, proporcionalmente, menos ministros militares.
Segundo o Datafolha, 52% dos brasileiros são contra a presença de militares no poder. Já o Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação verificou que 58,7% dos brasileiros acham que a presença de militares em cargos de 1º e 2º escalão não ajuda a democracia.
Um debate se coloca: a formação militar é a mais adequada para a ocupação de cargos voltados à formulação e implementação de políticas públicas em áreas tão diversas como saúde, educação, minas e energia, meio ambiente, infraestrutura, dentre outras?
Militares têm formação em temas voltados à defesa, à segurança, às ciências militares, às armas e suas especificidades, estando aptos, portanto, às políticas relativas à missão que a Constituição Federal determina às Forças Armadas, isto é, a defesa da pátria e a garantia dos poderes constitucionais.