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Presidente Jair Bolsonaro (sem partido). [fotografo] José Cruz/Agência Brasil [/fotografo]
Mais uma vez na contramão de todos os chefes de governo que conseguiram bons resultados até agora no enfrentamento ao coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou as medidas preventivas adotadas por governadores nesta terça-feira (17). Diante de indicadores desanimadores da economia, Bolsonaro se antecipou e jogou a responsabilidade pelos números pífios aos chefes dos Executivos estaduais. Segundo ele, as ações implantadas em vários estados, como a suspensão de determinadas atividades, vão se traduzir nos índices da economia e prejudicar os trabalhadores informais, que não terão dinheiro para se alimentar corretamente e ficarão ainda mais expostos à covid-19.
"A economia estava indo bem, fizemos algumas reformas, os números bem demonstravam a taxa de juros lá embaixo, a confiança no Brasil, a questão de risco Brasil também, então estava indo bem. Esse vírus trouxe uma certa histeria e alguns governadores, no meu entender, eu posso até estar errado, estão tomando medidas que vão prejudicar e muito a nossa economia", disse o presidente em entrevista à rádio Tupi.
>Coronavírus: os principais fatos sobre a pandemia nesta terça-feira (17)
A participação de Bolsonaro no ato feito em Brasília em defesa de seu governo opôs ele e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que tem se posicionado claramente contra aglomerações. Também criou atrito entre ele e um de seus principais aliados, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), que foi à manifestação organizada em Goiânia pedir que os manifestantes voltassem para casa para não espalharem ou contraírem o vírus. Ele foi vaiado e xingado por bolsonaristas.
Mesmo tendo tido contato com pessoas infectadas pelo coronavírus, Bolsonaro contrariou a orientação do Ministério da Saúde, rompeu o isolamento e tocou em apoiadores. Ao todo, pelo menos 14 pessoas que estiveram com o presidente na viagem aos Estados Unidos confirmaram que estão infectados.
Para ele, no entanto, tudo não passa de histeria. "Essa histeria leva a um baque na economia. Alguns comerciantes acabam tendo problemas. Você pode ver quando você vai a um jogo de futebol, o cara que vende o chá mate ali na arquibancada, o cara que guarda o carro lá fora (flanelinha), ele vai perder o emprego. Ele já vive na informalidade, ele vai ter que se virar, mas vai ter mais dificuldades e tendo mais dificuldades ele comerá pior. Comendo pior, já não comia tão bem, acaba não comendo adequadamente, ele fica mais debilitado, e o coronavírus chegando nele, ele tem uma tendência maior de ocupar um leito hospitalar", afirmou o presidente.