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Presidente da República, Jair Bolsonaro [fotografo] Isac Nóbrega/PR [/fotografo]
Alessandro Vieira*
Já temos 136 mortos e mais de 4.200 casos confirmados de Covid-19 no Brasil, que se somam aos mais de 30.000 mortos e 600.000 infectados no mundo todo. No mesmo dia em que o Distrito Federal confirma a primeira morte por infecção do novo coronavírus - a servidora Viviane Rocha de Luiz, de 61 anos -, o presidente da República foi às ruas estimular o descumprimento das orientações mais elementares dos técnicos da saúde de todo o mundo - inclusive do seu próprio Ministério.
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Na manhã deste domingo, 29, Bolsonaro visitou diversos lugares públicos no entorno de Brasília, aglomerando pessoas e repetindo falas contrárias às medidas de segurança sanitária. Ao final, anunciou estar cogitando um Decreto para cancelar todas as medidas de distanciamento social impostas com base na ciência.
Todos os eventos de transgressão às medidas de isolamento para conter o avanço do novo coronavírus foram filmados e transmitidos para milhões de pessoas. E as imagens mostraram um Bolsonaro ainda em campanha, que parece não ter entendido a realidade que grita ao seu redor e ainda acredita em uma falsa disputa entre a preservação de vidas e a garantia de estabilidade econômica, como se não fosse óbvio que as duas ações são urgentes e necessárias, mas sempre subordinadas ao valor maior inscrito na Constituição Federal, o respeito à vida.
Essa mistura de irresponsabilidade e ignorância não deve ser lida como uma simples demonstração de despreparo intelectual e emocional. Até as referências políticas internacionais de Bolsonaro, com destaque para Trump, depois de alguma demora, entenderam a gravidade da situação e estão anunciando sucessivas medidas de desestímulo à circulação de pessoas e de quarentena. Mobilizam seus países para um sentimento de união no enfrentamento da maior crise sanitária e econômica dos últimos 100 anos.