Publicidade
Expandir publicidade
Sergio Moro e Jair Bolsonaro, pivcôs no caso de interferência da PF no STF [fotografo]Marcos Corrêa/ABr[/fotografo]
O líder do PSL no Senado, Major Olimpio, declara-se um “Bolsomorista”, em razão de seu entusiasmo com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sergio Moro. Ele acredita que há interesse, por quem quer enfraquecer o combate à corrupção, de tentar afastar um do outro. Coisa que não ocorrerá, segundo o senador, porque os dois querem o bem do país.
Olimpio considera-se um dos mais fiéis aliados do governo Bolsonaro. Votou a favor de todos os projetos e medidas enviadas ao Congresso pelo governo. Outro tema muito defendido pelo Major é a instalação da CPI da Lava Toga. Mas isso não significa, ele alerta, que vá se submeter à vontade dos filhos do presidente, por mais que saiba da imensa proximidade que há entre eles. O líder do PSL já criticou os três publicamente e recomendou que eles parassem de "encher o saco" do governo.
O senador concedeu entrevista exclusiva para a nova edição da Revista Congresso em Foco, que já disponível para compra (compre aqui).
> “Que se dane se é filho do presidente”, diz Major Olimpio sobre Flávio Bolsonaro
Estamos com mais de dez meses do governo Bolsonaro. Como o senhor avalia esses primeiros meses? O que houve principalmente de positivo e de negativo?
O ponto positivo é que o presidente Bolsonaro vem cumprindo exatamente os compromissos da sua campanha. O enxugamento da máquina pública. As questões, por exemplo, que são mais do que fundamentais, como a nova Previdência. Uma pauta que é dura, é difícil, que não é simpática. Tivemos a medida provisória da liberdade econômica, que destrava o país em muitos setores. Alterações no decreto do Estatuto do Desarmamento. Está fazendo o que é possível. Porque, com a nova dinâmica de não ter toma-lá-dá-cá, não ter ministério de porteira fechada, a cada dia nós temos uma dor diferente.
Era possível ter um entendimento melhor sem toma-lá-dá-cá?
Todos nós estamos nos adaptando. O presidente, seus 22 ministros, já entraram dentro de uma nova dinâmica. O Congresso tem a sua dificuldade de adaptação. Muitos resistem e ficam na expectativa: “Quando é que nós vamos declarar que o sistema assim não funciona e vamos voltar para o antigo modelo?”. É uma situação em que cada episódio do seriado você tem uma luta nova, com uma diferença: no seriado, sempre os mocinhos vencem no final; aqui, não necessariamente.
Sobre a CPI da Lava Toga, se argumenta que a CPI atrapalharia o andamento das demais pautas do governo...
Houve uma depuração nos demais poderes. No Executivo, no Legislativo. Com a Lava Jato. Deputados e senadores cassados. Alguns na cadeia. Governador na cadeia. Ex-presidente na cadeia. Agora, se não mexer na cúpula do Judiciário, o resultado de tudo isso, do enfrentamento da corrupção, pode morrer. E vai ficar aquele sentimento: aqui é o país da impunidade. Não vai paralisar governo. Não significa ruptura com os poderes. Isso é conversa mole, para boi dormir. Então, eu não vejo essa ruptura. Isso beira mais a um acordaço: você não mexe comigo, eu não mexo com vocês. Isso é horrível para o país.
E quanto a esses eventuais atritos que se noticia envolvendo o presidente e o ministro Sergio Moro?
Há muita tentativa de se intrigar o presidente com o Sergio Moro. O Sergio Moro está numa missão de querer ajudar o Brasil. E você há de observar: o que conduziu o Bolsonaro à Presidência da República, não foi porcaria nenhuma de Previdência, reforma tributária, venda de estatais, coisa nenhuma. A pauta que encantou o povo brasileiro foi combate à corrupção e redução da criminalidade. Essas duas pautas o Bolsonaro pôs nos ombros do Moro. O Moro não é um problema para Bolsonaro. Ele é, possivelmente, a maior solução para o Bolsonaro hoje.
Mas não está patinando justamente essa pauta que encantou o povo, do combate à corrupção?
O tempo para essas coisas é o tempo de maturação no Legislativo. O governo tem que priorizar. As pessoas estão morrendo de fome, desempregadas, sem saúde. Então, tem que se fazer o ajuste previdenciário. Tem que priorizar a pauta da economia. Com relação ao pacote anticrime, justamente pelo ministro Sergio Moro ser essa figura tão forte para o mundo todo, é que realmente se cria mais antagonismo político. Se é o pacote do Moro, vamos retaliar.
Mudando de ministério: o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem sido alvo de muitas críticas. Como o senhor vê a gestão ambiental do governo Bolsonaro?
Em primeiro lugar, o Brasil é o país que mais preserva a sua área territorial. Eu vejo agora essa história das queimadas, fica parecendo que as queimadas apareceram depois da assunção do Bolsonaro à Presidência. O que aconteceu com o Ricardo Salles é que houve um perfil ao longo de muitos anos de que quem estava com a pasta do Meio Ambiente ser ligado de uma forma até radical à estrutura de meio ambiente. E ele veio falando em desenvolvimento sustentável. Isso acaba chocando. E, aí, o bombardeio vem. Cria antagonismos. Até numa semelhança da própria conduta do presidente. O presidente muitas vezes você diz que a manifestação dele não foi politicamente muito correta. Aí você vê que ele estava querendo dar recado. É o jeito dele. É o estilo Bolsonaro. Qualquer cara do marketing político diria: “Isso não vai dar certo”. Com ele, dá certo. Ganhou a eleição assim...
Mas será que o discurso que ganhou a eleição é o mesmo que cabe no governo? Agora, ele é uma alta autoridade pública. Tudo ganha repercussão muito maior...
É sempre uma adaptação. Mas pelo pouco que eu conheço do Bolsonaro, ele vai assim até o fim do governo. O estilo dele de ser é esse. Perde o amigo mas não perde a piada. Isso é dele.