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"Nosso primeiro apelo é para o candidato Fernando Haddad: nos ajude a te ajudar! Escute, reflita e responda com uma alternativa melhor e mais inclusiva", diz trecho da carta escrita por estudantes brasileiros[fotografo]Ricardo Stuckert[/fotografo]
Estudantes brasileiros do programa Lemann Fellowship, que pediram a criação de uma chapa única de centro, a “Alcirina”, agora declaram apoio à Fernando Haddad (PT), mas pedem que o candidato firme compromissos e acolha críticas dos grupos que não votaram nele por "boas razões".
Na semana anterior ao primeiro turno das eleições, realizado no último domingo (7), um grupo de estudantes brasileiros que moram no exterior e participam do programa Lemann Fellowship, da Fundação Lemann, criaram um manifesto em que pediam aos candidatos de centro, Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede), se unissem em uma única chapa para servir como alternativa à polarização e evitar o segundo turno entre os candidatos Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL).
A chapa, apelidada de Alcirina, seria encabeçada por Ciro que, em contrapartida, deveria incorporar pontos dos programas de Alckmin e Marina em seu plano e garantir um espaço para os presidenciáveis em um futuro governo. A hashtag #Alcirina liderou o ranking dos tópicos mais falados no país no Twitter e o manifesto obteve mais de 44 mil assinaturas.
Como o cenário esperado pelo grupo não se concretizou e os três candidatos de centro ficaram fora da disputa do segundo turno, os alunos, que estudam em Harvard, MIT, Columbia e outras universidades americanas, decidiram declarar apoio à Haddad, mas cobrar que o candidato acolha anseios que fizeram parte do eleitorado não votar nele.
“Nosso primeiro apelo é para o candidato Fernando Haddad: nos ajude a te ajudar!”, diz um trecho do manifesto. “A votação expressiva de Jair no primeiro turno é um grito desesperado do nosso povo por mudanças. Escute, reflita e responda com uma alternativa melhor e mais inclusiva.”
“Ainda que o impulso inicial, dado o choque de valores, seja cobrar os eleitores de Bolsonaro a mudarem de opinião simplesmente com bases morais, a verdade é que o ônus da mudar de posição não é do eleitor! O ônus é dos candidatos. Haddad tem que se movimentar para acolher os anseios de parte dos eleitores que não votaram nele, por boas razões”, diz outro trecho da carta.
Entre os compromissos pedidos pelo grupo, estão o comprometimento com o combate à corrupção, não interferência no processo judicial do ex-presidente Lula, diálogo aberto com a oposição e firme compromisso com o equilíbrio fiscal e reformas necessárias para a economia do país.
“Assuma papel de liderança que a história lhe reservou neste momento tão crítico, no qual sua derrota pode nos colocar em uma trajetória crescente de autoritarismo e violência. Tire o foco de sua campanha do Lula e faça concessões para incluir outros grupos políticos que se opõem à candidatura de Jair”, pede o grupo.
O grupo deixa claro que não será um apoio inconstitucional à Haddad e nem dará “cheque em branco” para o ex-prefeito de São Paulo. “Vamos cobrar a incorporação de pontos de outros candidatos e, em alguns casos, ser oposição direta a um novo governo PTista”, escrevem os estudantes.
“Hoje, porém, queremos garantir a possibilidade de termos em 2019 um governo que nos permita ser oposição. Infelizmente, chegamos a esse ponto.”
Veja a carta completa:
“Chegou a hora de Haddad se transformar no candidato do Brasil
Na semana passada, um grupo de jovens ambientalistas, economistas, jornalistas, ativistas e representantes da sociedade civil brasileira, que apoiavam Marina Silva (REDE), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), se uniram para pedir aos candidatos que se juntassem em uma candidatura única que pudesse fazer frente a candidaturas como a de Bolsonaro e de Fernando Haddad.
O manifesto que pleiteou a convergência de candidaturas obteve mais de 44.000 assinaturas, a hashtag #Alcirina liderou o ranking dos tópicos mais falados no país e a proposta influenciou debates e posicionamentos ao longo da semana.
Apesar de todas as movimentações nesse sentido, o povo decidiu colocar no segundo turno das eleições os candidatos Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Não se trata de contestar os resultados das urnas: cada eleitor encontrou motivos legítimos para votar como votou no 1º turno.
Com Ciro, Alckmin e Marina fora do segundo turno, apoiadores do manifesto e eleitores dos outros candidatos estão se perguntando: e agora?
Ainda que o impulso inicial, dado o choque de valores, seja cobrar os eleitores de Bolsonaro a mudarem de opinião simplesmente com bases morais, a verdade é que o ônus de mudar de posição não é do eleitor! O ônus é dos candidatos. Haddad tem que se movimentar para acolher os anseios de parte dos eleitores que não votaram nele, por boas razões.
Dessa forma, nosso primeiro apelo é para o candidato Fernando Haddad: nos ajude a te ajudar! Assuma o papel de liderança que a história lhe reservou neste momento tão crítico, no qual sua derrota pode nos colocar em uma trajetória crescente de autoritarismo e violência. Tire o foco de sua campanha do Lula e faça concessões para incluir outros grupos políticos que se opõem à candidatura de Jair.
Mostre ao Brasil o prefeito moderno que acumulou prêmios da ONU e o professor comprometido com a educação e futuro do nosso país. Para combater a compreensível resistência do eleitorado ao PT, mostre, desde já, que seu governo será aberto ao diálogo e governará para o bem de todas e de todos os brasileiros.
A votação expressiva de Jair no primeiro turno é um grito desesperado do nosso povo por mudanças. Escute, reflita e responda com uma alternativa melhor e mais inclusiva. É preciso reconhecer que nossa democracia sofreu com a polarização e o tensionamento dos anos recentes, abrindo espaço para que um político com propostas antidemocráticas e violentas tomasse proveito da situação.
Se ambos os lados cometeram equívocos, Bolsonaro se aproveita do espaço que conquistou para propagar ideias que ameaçam a democracia e direitos da população. Esse é um risco que NÃO podemos correr! Mas, para combatê-lo, será preciso humildade para reconhecer erros do passado e propor novos rumos, como já foi pedido por lideranças do próprio partido.
Concretamente, sugerimos:
- Compromisso com o combate à corrupção e continuidade das operações em andamento, inclusive de crimes relacionados à Petrobrás, no âmbito da operação e as empreiteiras e não interferência na operação lava-jato;
- Não interferência no processo judicial do ex-Presidente Lula;
- Diálogo aberto com a oposição e a incorporação de pontos de outros candidatos, convidando Marina, Ciro e Alckmin para apoiarem e fiscalizarem seu mandato;
- Firme compromisso com o equilíbrio fiscal e reformas necessárias para a economia do país;
- Reforço do compromisso já firmado com a transição para uma economia de baixo carbono, adaptação e mitigação das mudanças climáticas;
- Reforço do compromisso de não abrir uma nova constituinte no seu mandato;
- Compromisso com aumento da transparência do governo, como feito na cidade de São Paulo quando foi prefeito: disponibilização de bases de dados e abertura de informações para escrutínio popular.