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Com apoio de católicos e evangélicos, centrais sindicais realizam greve geral em todo o país

27/4/2017
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[caption id="attachment_291980" align="aligncenter" width="550" caption="Em setembro de 2016, manifestações contra o governo Temer e por eleições diretas ganharam as ruas em São Paulo e outras cidades do país"][fotografo]Mídia Ninja[/fotografo][/caption]  A greve geral convocada para esta sexta-feira (28) mobilizará milhares de trabalhadores em diversas capitais do país. A estimativa é da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e das frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, organizadoras da paralisação. Várias categorias já anunciaram adesão às manifestações. Entre elas estão professores de escolas públicas e particulares; rodoviários; bancários; funcionários do Detran; da saúde; servidores públicos e do Judiciário federal. Os protestos são contra as reformas da Previdência e a trabalhista – esta, já aprovada na Câmara, em tensa votação realizada ontem (quarta, 26) – patrocinadas pelo governo Michel Temer. Para conter o avanço dos manifestantes em direção ao Congresso e outros prédios da administração federal, a Esplanada dos Ministérios estará fechada desde a meia-noite desta sexta. Trabalhadores de ao menos 25 unidades da federação já confirmaram a adesão ao movimento grevista, que defende o lema "Nenhum direito a menos". A mobilização contrária às reformas é apoiada, inclusive, por lideranças católicas e de igrejas evangélicas. No último dia 23, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) confirmou o apoio, por meio de uma nota referendada pelo Conselho Permanente do órgão. Em outra frente, presidentes e representantes de igrejas evangélicas anunciaram que, em virtude das propostas de mudança no regime previdenciário brasileiro reunidas na PEC 287/2016, é preciso que "o governo construa mecanismos eficazes de cobrança dos altos valores devidos à Previdência Social e reduza as desonerações fiscais concedidas aos segmentos privados, em detrimento da saúde financeira do Estado". Onze entidades religiosas assinaram o pronunciamento. "A ideia é parar a produção, a circulação de mercadorias e a prestação de serviços como forma de protesto a essas reformas que eliminam de forma perversa, nefasta e desumana o conjunto de direitos da classe trabalhadora", ressalta o Sindicato dos Professores do DF. "Estaremos unidos com as demais categorias e trabalhadores/as nesta sexta para demonstrar nossa insatisfação com as reformas em discussão no Congresso Nacional", acrescenta a entidade, em nota que confirma a adesão da categoria ao ato.   [caption id="attachment_291983" align="aligncenter" width="550" caption="Esplanada será isolada e terá esquema especial de segurança a partir da meia-noite de quinta para sexta (28)"][fotografo]Lula Marques/AGPT[/fotografo][/caption]  O Ministério Público do Trabalho (MPT) também defendeu a legitimidade da paralisação. Em nota, o órgão avaliou o movimento como justo e adequado. O procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Curado Fleury, reafirmou ainda "o compromisso institucional do MPT com a defesa dos direitos sociais e com a construção de uma sociedade livre, justa, solidária e menos desigual" (leia nota abaixo). No documento, Fleury fez críticas ao Projeto de Lei 6787/16, aprovado pelo plenário da Câmara na última quarta-feira (26), que trata das alterações da legislação trabalhista. Para o  MPT, as prerrogativas previstas no substitutivo do deputado Rogerio Marinho (PSDB-RN) "violam gravemente a Constituição Federal de 1988 e Convenções Fundamentais da Organização Internacional do Trabalho" (leia a íntegra da nota abaixo). Maior da história De acordo com o líder da Central Única dos Trabalhadores, quem fortaleceu o movimento foi o próprio presidente da República ao anunciar as reformas. Em entrevista ao site Conversa Afiada, o presidente da CUT, Vagner Freitas, afirmou que a organização espera que essa seja a "maior greve da história do Brasil". "É um governo louco, que é corrupto, que não tem autoridade política, ética ou moral, e vem com a proposta de acabar com a aposentadoria, com férias, décimo-terceiro salário. Acabar, enfim, com a CLT [Consolidação das Leis Trabalhistas]", criticou Vagner.   [caption id="attachment_291991" align="aligncenter" width="550" caption="Em março, manifestação na Esplanada prenunciada a grande paralisação desta sexta"][fotografo]Reprodução[/fotografo][/caption]  "O que mobiliza a greve é o Temer! As pessoas caíram na real", acrescentou o presidente da CUT. Eu acho que vai ser um movimento muito forte, com todas as centrais sindicais – é importante citar, não é só a CUT. Todas as centrais sindicais estão organizando a greve com muita fibra. Acredito muito na força da greve", ponderou. Fim do imposto sindical Esse é o grande motivador da participação da Força Sindical na paralisação desta sexta. Liderada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), presidente licenciado da central, a Força foi uma das grandes apoiadoras do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e, agora, reage às propostas do governo Temer sobre mudanças na legislação trabalhista. O parlamentar integra a base governista e, mesmo assim, questiona as medidas negociadas na reforma.   [caption id="attachment_291985" align="aligncenter" width="550" caption="“Diretas Já” é um dos principais motes das manifestações desta sexta-feira"][fotografo]Roberto Parizotti/CUT[/fotografo][/caption]  A maior crítica do deputado é sobre o artigo que prevê o fim do auxílio monetário aos sindicatos: "Sem dinheiro o sindicato não tem como se manter e negociar", avaliou. "[A paralisação] tem tudo para tornar-se um marco histórico na resistência da classe trabalhadora contra as frequentes ameaças do governo de, sob a alegação de sanar os cofres públicos, suprimir direitos de todos os brasileiros", acrescentou Paulinho da Força. "Não tem muito jeito: é por conta do desmonte da CLT. Independente da opinião da Central sobre a conjuntura, sobre o governo e tal, não dá pra suportar o desmonte da CLT e, obrigatoriamente, vai à greve, empurrada pelos trabalhadores", ponderou Vagner Freitas, ao comentar a participação do movimento liderado pelo deputado, que compõe a base do governo Temer. Veja quais setores aderiram à paralisação no DF: • Rodoviários (SINTTRATER) • Metroviários (SINDMETRO) • Aeronautas (SINA) • Bancários (SEEBB, SINTRAF-RIDE) • Jornalistas (SJPDF) • Professores e Servidores da UnB (SINTFUB e ADUnB) • Radialistas (SINRAD) • Urbanitários e Eletricitários (STIU) • Vigilantes (SINDESV) • Servidores da administração do GDF (SINDSER) • Servidores da Assistência Social e Cultural do DF (SINDSASC) • Servidores da CAESB (SINDAGUA) • Servidores da Câmara Legislativa (SINDICAL) • Servidores do DETRAN (SINDETRAN) • Servidores do Judiciário e MPU (SINDJUS) • Servidores públicos federais (SINDSEP) • Servidores públicos municipais de Valparaíso, Águas Lindas, Campos Belos, Formosa, Planaltina de Goiás, São João da Aliança, Padre Bernardo • Trabalhadores da Educação (SINPRO, SAE, SINPRO-EP) • Trabalhadores da hotelaria, bares e restaurantes (SECHOSC) • Trabalhadores da limpeza urbana (SINDLURB) • Trabalhadores do serviço de informática e processamento de dados (SINDPD) • Trabalhadores do Transporte de Valores (SINDVALORES) • Trabalhadores dos Correios (SINTECT) • Trabalhadores em Telecomunicação (SIntel). Última atualização da lista: 25/4/2017   Abaixo, assista ao vídeo que circula nas redes sociais dos sindicatos para convocar os trabalhadores à paralisação:   Leia a íntegra da nota emitida pelo MPT: "NOTA PÚBLICA O MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO,  considerando a Greve Geral  anunciada para o dia 28.04.2017, vem a público: I – DESTACAR que a Greve é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal, bem como por Tratados Internacionais de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil, “competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender” ( art. 9º da CF/88); II – ENFATIZAR a legitimidade dos interesses que se pretende defender por meio da anunciada Greve Geral como movimento justo e adequado de resistência dos trabalhadores às reformas trabalhista e previdenciária, em trâmite açodado no Congresso Nacional, diante da ausência de consulta efetiva aos representantes dos trabalhadores (Convenção OIT n. 144); III –  REAFIRMAR a posição institucional do Ministério Público do Trabalho - MPT contra as medidas de retirada e enfraquecimento de direitos fundamentais dos trabalhadores contidas no Projeto de Lei que trata da denominada  “Reforma Trabalhista”, que violam gravemente a Constituição Federal de 1988 e Convenções Fundamentais da Organização Internacional do Trabalho; IV –  RESSALTAR o compromisso institucional do MPT com a defesa dos Direitos Sociais e com a construção de uma sociedade livre, justa, solidária e menos desigual. RONALDO CURADO FLEURY Procurador-Geral do Trabalho"   Mais sobre reforma trabalhista Mais sobre o Brasil nas ruas
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