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<<“Quero o direito à esquisitice”, diz Alexandre RibondiO humor é uma linha contínua na vida do teatrólogo. “Dançar e sorrir também eram práticas proibidas. O riso é extremamente subversivo.” Mesmo na esquerda, durante a ditadura, não era bem visto — por ser homossexual. “A esquerda nos rechaçava”, lembra. Assim, intervenções artísticas, teatro de guerrilha, humor satírico em publicações alternativas constituíram a ação de Ribondi. Essas lutas de 40 anos atrás repercutiram, no entendimento do diretor de teatro, na vida cotidiana de Brasília. “Acho que em outras cidades, se você anda rebolando, alguém logo grita: olha o viado! Aqui no Plano Piloto, nunca vi isso. Acho que é mais fácil viver aqui, em vários aspectos, inclusive nesse”, avalia. Ribondi vê Brasília como uma cidade mais indiferente, para o bem e para o mal. Um lugar onde as pessoas mal conhecem os vizinhos, mas também onde eles não se importam com a sua vida. “Não sei se tem relação direta com as lutas dos anos 1970, mas todos os movimentos em que você se engaja, mesmo que atinjam poucas pessoas, se amplia e se multiplica. Se você não acreditar piamente nisso, não participa de movimento social nenhum.” Igreja e porrada Ainda assim, observa, há muito o que avançar, além de impedir retrocessos. “Na ditadura, tínhamos um círculo no qual podíamos estar tranquilos. Hoje, esse círculo aumentou, mas ainda não é suficiente. Ainda estamos em risco em muitos lugares. Olhar feio para a gente, foda-se. Estamos acostumados. Mas levar porrada por andar de mãos dadas? É inaceitável.” Grande parte da prevalência desse problema é consequência da fantasia do Estado laico, como ele define. Ribondi entende que, na medida em que cresce o poderio das bancadas religiosas, que se pautam pela Bíblia e entram na alçada de questões de Estado, a comunidade LGBT está sujeita à marginalização. “Diante do discurso proferido pelos poderosos, usando o livro sagrado para disseminação de ódio, o brasileiro comum se sente empoderado a fazer o mesmo e levar o discurso para a prática. E eles acreditam no inferno! E, em dinheiro. O que dá no mesmo em muitos momentos.” <<Leia a entrevista de Alexandre Ribondi Saiba mais sobre a nova edição da Revista Congresso em Foco