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Vinícius Fidelis Santos de Brito, de 24 anos, morto por policiais miliares em São Vicente. Foto: arquivo pessoal
Catarina Duarte
Ponte Jornalismo
O local onde o jovem negro Vinícius Fidelis Santos de Brito, de 24 anos, foi morto por policiais militares diante da mãe que implorava por sua vida não passou por perícia. O caso aconteceu domingo (8), em São Vicente, litoral de São Paulo. No boletim de ocorrência, a ausência de exames periciais foi justificada pela “revolta dos moradores” que, segundo a PM, passaram a atirar pedras e garrafas contra a equipe após o crime. Os policiais admitiram terem usado munição química para dispersar quem protestava.
Segundo os PMs, diante da confusão causada pelos moradores, a perícia não foi feita porque não havia condições mínimas de segurança para a preservação do local do crime pelos agentes.
Vídeos gravados por testemunhas registraram a súplica da mãe de Vinícius para que o filho não fosse morto. “Vocês mataram meu filho? O que isso? Vocês vão matar meu filho”, gritava a mulher.
A Ponte teve acesso ao boletim de ocorrência. Vinicius foi cercado em um imóvel pelo tenente Carlos Augusto Pereira Andrade e o soldado Gustavo Riceti Guimarães. Carlos disparou duas vezes com uma pistola glock e Gustavo uma, com o mesmo armamento. O jovem chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas morreu a caminho do Pronto-Socorro Central de São Vicente.
No vídeo, que gerou comoção nas redes sociais, a mãe pede para entrar em um imóvel onde o jovem estaria com os PMs: “Pelo amor de Deus, gente, deixa eu entrar! Eu sou a mãe dele!” O registro mostra um PM com uma arma de cano longo saindo da casa e é possível ouvir uma voz dizendo: “Sai, sai, entra, entra.” A mulher entra em uma casa e ouvem-se os disparos.