O ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) volta a ocupar posto de destaque no cenário político. Em votação acirrada, ele ficou com a presidência da Comissão de Infraestrutura do Senado, vencendo por 13 votos a 10 a senadora do PT Ideli Salvatti (SC). Os petistas reivindicavam o comando da comissão com base no princípio da proporcionalidade partidária, que obedece ao tamanho das bancadas no Senado. Collor, que há um mês apoiou a candidatura de José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado, teve sua eleição articulada pelo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL).
O petebista já havia desistido da Comissão de Relações Exteriores ao perder a queda-de-braço com o PSDB. O impasse criado pelo ex-presidente da República contaminou o Plenário, que não votou nenhuma proposição este ano.
A comissão, que analisará obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e discutirá o rumo dos investimentos do país, é considerada estratégica no Congresso por causa do agravamento da crise econômica mundial. “Ela será imprescindível ao enfrentamento da crise. Boa parte dos projetos do PAC, agências reguladores e investimentos passarão por esta comissão”, disse Ideli em discurso, antes da votação. Antes da confirmação da vitória de Fernando Collor, ainda durante o debate entre as lideranças que apoiavam as duas candidaturas, alguns senadores se estranharam dentro do plenário da comissão. O senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), que apoiou a petista, disse que Collor deveria se preocupar em aparecer mais no Senado. “O senhor está devendo mais presença e participação nesta Casa”, alfinetou Guerra.
Em 2007, Collor foi o parlamentar mais ausente da Casa, comparecendo a apenas 44 sessões deliberativas, conforme revelou levantamento do Congresso em Foco (leia mais). O ex-presidente respondeu dizendo que havia se licenciado. “Quando um senador se licencia, deve haver um motivo. Não passei por tudo o que passei para ouvir essa ironia”, ressaltou, sem revelar o motivo de suas faltas.
Na época, Collor reagiu com irritação ao ser informado de que era o menos assíduo entre os senadores. “Não tenho que justificar nada das minhas presenças e ausências”, respondeu. Ao ser questionado sobre a importância de estar presente no Senado, o ex-presidente manteve a rispidez. “Não é questão de ser mais ou menos importante. Se você quiser saber esses números, procure um assessor parlamentar”, disse ele à repórter. Após a confirmação da vitória do ex-presidente da República, o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), criticou o acordo que levou à vitória do petebista. "É uma aliança espúria entre o senador Renan Calheiros e o senador Collor, retirando o direito legítimo e democrático da bancada do Partido dos Trabalhadores", disse. Durante a disputa, Collor contou com o discurso de apoio de Renan Calheiros. “O PMDB assumiu compromissos [para consolidar a eleição da Mesa Diretora] que não pode abrir”, justificou o senador alagoano. Com a consolidação do resultado favorável ao seu candidato, Renan elogiou a senadora Idelli e disse lamentar que a decisão da presidência da comissão tenha se arrastado até o fim da votação. "O Senado demorou a fazer a eleição das comissões técnicas para evitar a disputa, que não é boa. Sobretudo quando envolve dois candidatos de partidos da base. Infelizmente aconteceu, foi uma condução política errada, os partidos da base conflitaram interesse", explicou. (Daniela Lima)
Atualizada às 14h07