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- A 2ª vice-presidente do Senado, Serys Slhessarenko (PT-MT), presente àquela solenidade de quinta-feira, tinha em mãos à Mesa uma pesquisa que recebera no dia anterior. Um dos dados do estudo: na média, o salário das mulheres no Brasil ainda é 34% menor que o dos homens. Alguém pode me explicar o porquê?
- O mesmo Congresso que “homenageia” as mulheres, com direito a cortejos sutis por parte de seus comandantes, traz em si embutida uma lamentável realidade: na Câmara, são apenas 46 deputadas entre as 513 vagas, o que equivale a 9%. Na Alta Casa a aridez é maior: dos 81 senadores, apenas dez são mulheres (12,3%). E em breve serão apenas nove, ao que tudo indica: Roseana Sarney (PMDB-MA) deve ocupar o lugar de Jackson Lago, que teve o mandato de governador do Maranhão cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Sintomático, não?
- Sobre os números acima, o jornalista Nilmário Miranda, que também preside a Fundação Perseu Abramo, faz pertinente comentário em seu texto “Faltam mulheres na política”, publicado na edição carnavalesca de 24 de fevereiro do jornal O Globo. Ao defender maior participação das mulheres na área política, como o título sugere, Nilmário diz que “são tão poucas as mulheres nesses círculos que suas eventuais falhas e fracassos reforçam a exclusão. (…) A desproporção de representação política fica mais exacerbada quando se toma a participação das mulheres negras e indígenas, as mais pobres entre os pobres”.
- Para mudar de assunto, e como mero lembrete: de férias no Rio de Janeiro, vi de perto o triunfo apoteótico da G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro (sempre achei imponente a sigla, daí ter feito questão de registrá-la…). À frente, dos milhares de carnavalescos, uma mulher. Aliás, duas das escolas de samba campeãs neste ano têm como presidentes duas aguerridas mulheres: Regina Celi Fernandes Duran (Salgueiro) e Eli “Chininha” Gonçalves (Estação “Primeiríssima” de Mangueira). Aliás, dispensemos comentários sobre o papel das mulheres na Marquês de Sapucaí.
- Enfim, agora para continuar no assunto, um voto de protesto contra a excelente crônica “G.R.E.S Frankfurt”, de Arthur Dapieve, publicada no mesmo O Globo, só que na edição de 20 de fevereiro. O brilhante jornalista, de texto sintaticamente irretocável, põe o bloco na rua contra as mulheres, digamos, fortinhas. E exalta as mulheres de outrora, lindas em sua exuberante delicadeza e sinceridade corporal, com “corpos tão bonitos quanto possíveis e uma graça que não resistiria aos ferros da musculação”. Adoro-as, caro Arthur, mas não ignoro o esforço das “gladiadoras”. Ademais, qual o intuito de chamá-las de “cultoras da estética travesti”? Mulher é mulher seja qual for o figurino. E jamais se confundirá com travesti – com todo o respeito a estes (as), como diria seu colega Ancelmo Gois.