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Comissão especial adia votação da PEC da Anistia Partidária

Após pedido de vistas do Psol, comissão especial da PEC da Anistia adiou votação da proposta que perdoa dívidas de partidos.

13/9/2023
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Após pedido de vistas do Psol, comissão especial da PEC da Anistia adiou votação da proposta que perdoa dívidas de partidos. Foto: Guilherme Mendes
A comissão especial na Câmara dos Deputados que analisa o texto da PEC da Anistia Partidária (9/2023), que prevê o perdão às sanções aos partidos que descumpriram as cotas orçamentárias de raça e gênero nas eleições de 2022, adiou a votação do relatório após um pedido de vistas da bancada do Psol. O relatório do deputado Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP) ficou pronto após a realização de apenas uma audiência pública pelo colegiado. Em seu voto, o relator não apenas manteve a anistia pelo descumprimento das cotas orçamentárias, como diminuiu para 20% o repasse mínimo do Fundo Eleitoral a candidaturas negras. Ele também abriu a possibilidade para que partidos recorrem a repasses empresariais para o pagamento de multas obtidas antes de 2020, e substitui a imposição de futuras multas com valor definido a descontos mensais de 10% do Fundo Partidário. “Inconteste que as agremiações partidárias (...) enfrentaram e continuam enfrentando dificuldades no cumprimento das regras de ações afirmativas. Também causa severo prejuízo ao planejamento dos partidos as decisões proferidas em período muito próximo os pleitos, bem como o estabelecimento de regras em atos normativos infralegais”, argumentou o relator em seu voto. A PEC da Anistia estava prevista para votação no mesmo dia. A bancada do Psol foi a única a se posicionar de forma contrária ao texto. “Ela trata da maior anistia para partidos políticos que devem em torno de R$ 40 milhões aos cofres públicos. Todos os partidos têm dívidas maiores ou menores por descumprirem leis que nós mesmos elaboramos. (...) Parece que a casta política do sistema que impera no Brasil há séculos não consegue abrir mão de privilégios e de cristalizar um tipo de movimento político-eleitoral que faz com que as maiorias sociais não se tornem nunca maiorias políticas”, afirmou o deputado Chico Alencar (Psol-RJ). Renata Abreu (Podemos-SP), presidente de seu partido, defendeu que a anistia deva acontecer pois não há um marco temporal para a contagem de candidaturas femininas. “Você tem mudanças desde a convenção em que o partido não sabe o percentual final que o partido deve exigir”, alegou. A definição dessa data de contagem do repasse de atendimento às cotas é um dos temas discutidos na minirreforma eleitoral. A estratégia do grupo de opositores para impedir que o item fosse votado foi apresentar um kit obstrução, pacote de requerimentos que devem ser votados anteriormente ao mérito, visando ganhar tempo de articulação e cansar o bloco favorável. Os requerimentos foram votados, levando a bancada a pedir vistas. Com isso, a votação do relatório da PEC da Anistia foi transferida para a tarde do dia 19. A PEC 9/2023 tramita em ritmo acelerado, buscando acompanhar a minirreforma eleitoral. Mirando as eleições municipais de 2024, as duas reformas estabelecem mecanismos que não apenas flexibilizam a aplicação das cotas de raça e gênero na aplicação dos fundos Eleitoral e Partidário, como afrouxam diversos mecanismos de fiscalização e controle financeiro das candidaturas. A minirreforma, porém, segue com a previsão para ter sua urgência votada em plenário ainda nesta quarta-feira.
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